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ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE/ ARTIGO ORIGINAL

 

A equipe de enfermagem e o familiar acompanhante no cenário hospitalar. Um estudo exploratório

 

The nursing team and the family member accompanying adult patients in the hospital context. An exploratory study

 

El equipo de enfermería y el familiar acompañante del paciente adulto en el escenario hospitalario. Un estudio exploratorio

 

 

Thayane Dias dos Santos1; Alessandra Cristina de Oliveira Aquino2; Carla Lube de Pinho Chibante3; Fátima Helena do Espírito Santo4

 

1Enfermeira, Especialista. Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense (EEAAC/UFF), Brasil. email: thaydsantos@hotmail.com.

2Enfermeira, Especialista. EEAAC/UFF, Brasil. email: Ale.aquino@hotmail.com.

3Enfermeira, Especialista. EEAAC/UFF, Brasil. email: Carla-chibante@ig.com.br.

4Enfermeira, Doutora. Professora EEAAC/UFF, Brasil. email: fatahelen@hotmail.com.

 

Fecha de Recibido: Mayo 29, 2012. Fecha de Aprobado: Febrero 4, 2013.

 

Artículo asociado a investigación: As faces da hospitalização para o idoso: contribuições ao cuidar em enfermagem.

Subvenciones: ninguna.

Conflicto de intereses: ninguno.

Cómo citar este artículo: Santos TD, Aquino ACO, Chibante CLP, Espírito Santo FH. The nursing team and the family member accompanying adult patients in the hospital context. An exploratory study. Inv Educ Enferm. 2013;31(2): 218-225.

 


RESUMO

Objetivo. Identificar as ações do familiar acompanhante do paciente hospitalizado adulto e descrever que papel tem a equipe de enfermagem com este familiar. Metodologia. Investigação qualitativa, descritiva e exploratória, na que mediante aplicou um questionário com perguntas abertas a 30 pessoas da equipe de enfermaria de enfermagem de um hospital universitário localizado no Estado do Rio de Janeiro. A tomada da informação se realizou em 2010. As respostas foram interpretadas por análise temática, categorizando as variáveis qualitativas identificadas. Resultados. 89% dos participantes foram de sexo feminino. Ao analisar a informação das respostas às perguntas do questionário se encontraram dois tipos de ações: as que pode brindar o acompanhante ao seu familiar e as próprias a desempenhar pela enfermaria Em cada ação se verificaram as categorias: dimensão afetiva, dimensão prática, dimensão moral e inclusão da família no cuidado. Para a equipe da enfermaria o acompanhante tem um papel muito importante no apoio emocional e na ajuda com a higiene básica do paciente, mas este cuidado deve brindar-se sob a orientação da enfermaria. Conclusão. O acompanhante familiar e da equipe da enfermaria procuram conjuntamente a melhoria da qualidade do cuidado do paciente, o que se reflete positivamente em sua integração no âmbito do atendimento hospitalar e favorecerá a continuidade do mesmo no espaço domiciliário.

Palavras chaves: enfermagem; família; hospitalização.


ABSTRACT

Objective. To identify the actions of family members who accompany adult hospitalized patients and to describe the nursing team's role regarding that person. Methodology. In this qualitative, descriptive and exploratory research, a questionnaire was applied to 30 nursing team members at a teaching hospital located in the State of Rio de Janeiro, using open questions. To interpret the answers, thematic analysis was applied to categorize the identified qualitative variables. Results. Eighty-nine percent of the participants were female. When analyzing the information contained in the answers to the questionnaire, two types of actions were found: the actions the companion can perform for his/her relative and the actions the nursing team needs to perform. In each action, the following categories were verified: affective dimension, practical dimension, moral dimension and inclusion of the family in care. According to the nursing team, the companion plays a very important role in emotional support and help with the patient's basic hygiene, although this care should be offered under nursing orientation. Conclusion. Family companions and nursing team members work together to improve the quality of patient care, with positive reflections for their integration in hospital care, which will enhance its continuity in the home-care context.

Key words: nursing; family; institutionalization.


RESUMEN

Objetivo. Identificar las acciones del familiar acompañante del paciente adulto hospitalizado y describir qué papel tiene el equipo de enfermería con este familiar. Metodología. Investigación cualitativa, descriptiva y exploratoria, en la que se aplicó un cuestionario con preguntas abiertas a 30 personas del equipo de enfermería de un hospital universitario localizado en el Estado do Rio de Janeiro. La toma de la información se realizó en 2010. Las respuestas fueron interpretadas por análisis temático, categorizando las variables cualitativas identificadas. Resultados. El 89% de los participantes pertenecía al sexo femenino. Al analizar la información de las respuestas a las preguntas del cuestionario se encontraron dos tipos de acciones: las que puede brindar el acompañante a su familiar y las propias a desempeñar por enfermería. En cada acción se verificaron las categorías: dimensión afectiva, dimensión práctica, dimensión moral e inclusión de la familia en el cuidado. Para el equipo de enfermería el acompañante tiene un papel muy importante en el apoyo emocional y en la ayuda con la higiene básica del paciente, pero este cuidado debe brindarse bajo la orientación de enfermería. Conclusión. El acompañante familiar y del equipo de enfermería buscan conjuntamente la mejoría de la calidad del cuidado del paciente, lo que se refleja positivamente en su integración en el ámbito de la atención hospitalaria, lo que favorecerá la continuidad del mismo en el espacio domiciliario.

Palabras clave: enfermería; família; hospitalización.


 

 

INTRODUÇÃO

A hospitalização é um acontecimento comum para alguns indivíduos com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e isto significa mudanças na rotina, distanciamento dos familiares e amigos o que afeta o indivíduo e toda a estrutura familiar, pois tende a ser percebida como ameaçadora geradora de estresse, causando sentimentos de insegurança, culpa, perda de controle, autonomia e alterações nos aspectos socioeconômicos. Contudo, ao estabelecer um relacionamento mais próximo e terapêutico com a equipe de enfermagem a família pode passar a ver e agir em solidariedade às dificuldades impostas pela própria instituição e a dinâmica do trabalho da equipe de enfermagem. Por outro lado, ainda que disponha, geralmente, de potencial interno para reorganizar-se rapidamente, ao assumir o papel de acompanhante a família apresenta necessidades específicas frente à hospitalização o que requer informações e orientações sistematizadas, por parte da enfermeira, sobre como participar do processo de cuidar desses pacientes como familiar acompanhante, apoiando os membros da equipe de enfermagem durante a hospitalização, desenvolvendo conhecimentos e habilidades para dar continuidade a esses cuidados após a alta hospitalar, no cenário domiciliar.

A família deve ser compreendida como uma aliada da equipe de saúde, atuando como suporte na promoção de conforto e humanização ao paciente, ajudando-o a recuperar confiança e assim, investir na sua recuperação. Desse modo, como a família é um elemento de apoio ao paciente hospitalizado, é importante manter esse vínculo familiar/cliente para tornar o ambiente hospitalar mais seguro e menos assustador.1 A interação da família com a equipe de saúde é relevante para todos, pois a valorização dessa interação está alicerçada na sua maior participação no desenvolvimento do plano de cuidados, estando sensibilizada e envolvida ativamente nesse contexto. Então, ao assumir a família como parceira, no processo de cuidar do paciente, é necessário considerar e reconhecer que ela é também foco da assistência de enfermagem e sua participação na realização dos cuidados ao paciente é fundamental para sua recuperação.

A permanência do familiar acompanhante junto ao cliente hospitalizado exige transformações na prática da equipe de enfermagem. Logo, a equipe necessita adaptar-se a esta situação, alterando atitudes, posturas, além de demonstrar receptividade frente à presença deste acompanhante no cotidiano do cuidado.2 Nesse contexto, se faz necessária a participação do enfermeiro, demonstrando a sua capacidade de estabelecer uma interação que possa beneficiar o relacionamento da equipe de enfermagem com o cliente, buscando integrar o acompanhante como elemento na recuperação do cliente e orientá-lo em todo o processo saúde-doença, durante o período de hospitalização, já que a família geralmente precisa assumir a responsabilidade do cuidado ao cliente em casa, após a alta hospitalar.

Diante da presença do familiar acompanhante no ambiente hospitalar, a equipe de enfermagem tende a preocupar-se mais em mantê-la obediente às regras e rotinas da instituição, esperando que cumpra com as suas obrigações de cuidar e não interfira nas atividades da enfermagem. Porém, cabe ao enfermeiro assegurar o direito da presença da família junto ao cliente hospitalizado, incentivando a sua participação no processo do cuidar.2 A implementação de políticas públicas tem incentivado a inserção da família no ambiente hospitalar, fato este que visa à humanização do cuidado e à aproximação do familiar junto ao doente hospitalizado. Entretanto, este é um processo lento, visto que as instituições ainda não possuem uma estrutura física e organizacional propícia para acolher o acompanhante.3,4

A aprovação de leis e decretos que regulamentam o direito e à permanência de acompanhante para alguns grupos específicos possibilita a humanização do ambiente hospitalar. De acordo com as Leis n° 8.069/90, n° 10.741/03 e n° 11.108/05, a criança, o adolescente, o idoso e a parturiente têm direito a acompanhante durante o processo da hospitalização. Entretanto, no que diz respeito ao adulto, a Política Nacional de Humanização da Saúde recomenda a presença do familiar acompanhante, porém, esta decisão fica a cargo da liberação institucional cujo cumprimento, na maioria das vezes, é decidido pelo enfermeiro.5-7 Destarte, a experiência vivenciada pelo familiar acompanhante no cenário hospitalar pode desencadear diversas situações de desconforto. Para atenuar estas situações impostas tanto ao doente como ao seu acompanhante no processo da hospitalização são necessárias ações e intervenções da equipe de enfermagem de forma a proporcionar o seu bem-estar e conforto.8

Frente à problemática apresentada, são questões norteadoras deste estudo: quais são as atribuições do familiar acompanhante do cliente hospitalizado? Qual o papel da equipe de enfermagem com o familiar acompanhante do cliente hospitalizado? Assim, este estudo objetiva identificar as atribuições do familiar acompanhante do cliente hospitalizado e descrever o papel da equipe de enfermagem junto ao familiar acompanhante do cliente hospitalizado.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, cuja coleta de informações envolveu a aplicação de um questionário, composto de dados de identificação e duas questões abertas, a 30 membros da equipe de enfermagem que atuavam em unidades de internação clinica e cirúrgica de um hospital universitário localizado no Estado do Rio de Janeiro, no período de maio a junho de 2010. Os critérios de inclusão dos sujeitos foram: estar atuando nas referidas unidades há no mínimo 3 meses, disponibilidade e interesse em participar do estudo devidamente formalizado no termo de consentimento livre e esclarecido. O protocolo de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da instituição sob o numero 133/08 e os sujeitos do estudo foram orientados quanto aos objetivos da pesquisa e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, como preconizado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

Nesse sentido, os profissionais de enfermagem em questão responderam a um questionário com questões abertas sobre o tema, além de uma parte objetiva sobre questões relativas à identificação dos mesmos, tais como: sexo, faixa etária, categoria profissional, tempo de atuação e setor de atuação. As questões abertas foram as seguintes: Para você o que cabe ao familiar acompanhante? Qual o papel da equipe de enfermagem junto a esse acompanhante? A partir das respostas às questões do questionário foi realizada análise temática, uma modalidade de análise de conteúdo que 'consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado.9:209

Após análise temática dos dados, foram elaboradas as seguintes categorias: dimensão afetiva; dimensão institucional; dimensão moral; inclusão da família como unidade do cuidado. As falas transcritas foram nominadas através da combinação entre letras e números, sendo que P significa 'Participantes' e os números diferenciam as respostas dos envolvidos. Desta forma, respeita-se o preceito ético do anonimato.

 

RESULTADOS

Participaram da pesquisa 30 membros da equipe de enfermagem (100%), sendo que 19 (63.3%) eram técnicos de enfermagem e 11 (36.6%) eram enfermeiros. Destes 30 profissionais, 26 (86.6%) eram do sexo feminino e 4 (13.3%) do sexo masculino. A idade dos sujeitos variou entre 18 a 51 anos, sendo que a faixa etária de maior prevalência foi entre 21 a 38 anos. Com relação ao setor de atuação 16 eram da clínica cirúrgica (53.3%) e 14 da clínica médica (46.7%). O tempo de atuação variou de 3 meses a 25 anos.

Ao analisar as respostas das duas questões do questionário foram identificadas duas atribuições: do familiar acompanhante e da equipe de enfermagem. Em cada atribuição foram identificados temas que originaram categorias inter-relacionadas, ou seja, a dimensão institucional e a dimensão afetiva presentes tanto nas atribuições do familiar acompanhante quanto nas atribuições da equipe de enfermagem. A dimensão prática engloba apenas as atribuições ao familiar acompanhante. Já a dimensão moral e a inclusão da família como unidade do cuidado estão inseridas nas atribuições da equipe de enfermagem.

O que cabe ao familiar acompanhante

Quando perguntados sobre o papel do familiar acompanhante dentro da unidade hospitalar, as respostas foram enquadradas em 3 categorias: dimensão prática, dimensão afetiva e dimensão institucional.

Dimensão prática. Classificou-se as seguintes respostas: Permanecer junto ao leito do paciente auxiliando nas atividades básicas: higienização bucal, dieta e acompanhá-lo ao banheiro (P6); Ajudá-lo ao oferecer a dieta e acompanhá-lo nas necessidades fisiológicas... (P1); Auxiliar em algumas tarefas como a alimentação e a mudança de decúbito, quando possível...(P8). A questão prática relaciona-se com as necessidades biológicas, como auxiliar na alimentação e no banho, oferecer água, colocar e retirar comadre, trocar fraldas e ajudar na locomoção, em cadeira de rodas, e na deambulação. A dimensão prática foi identificada apenas nas atribuições do familiar acompanhante com 70%.

Dimensão afetiva. Classificou-se: Apoio emocional junto ao paciente que acaba estendendo-se ao familiar... participar do treinamento dos cuidados necessários para a alta do paciente (P3); Estar ao lado do ente querido...P(10); Acompanhá-lo com segurança e dedicação para que ele se sinta bem emocionalmente (P20). Durante a análise das falas dos profissionais, percebeu-se que o afeto está relacionado com as necessidades psicossociais, como proporcionar segurança, companhia, ser atencioso, promover conforto e dar carinho. Esta dimensão foi identificada nas atribuições ao familiar acompanhante com 83.3%.

Dimensão institucional. Já que possui esse direito por lei... (P1); Orientar quanto à rotina do setor... (P25); Sempre deixar claro os limites entre protocolos institucionais e rotinas da assistência de enfermagem... (P13); Restringir-se ao seu cliente, cumprindo as normas da instituição... (P4). A dimensão institucional foi identificada nas atribuições do familiar acompanhante com 43.3%. Na maioria das falas dos membros da equipe de enfermagem esta dimensão foi percebida como um esclarecimento das condutas e das regras do hospital, além de ficar claro em algumas falas que a presença do familiar na unidade hospitalar é garantida por lei.

O papel da equipe de enfermagem junto ao familiar acompanhante

As respostas foram enquadradas em 4 categorias: dimensão institucional, dimensão afetiva, dimensão moral e inclusão da família como unidade do cuidado.

Dimensão institucional. Informar os horários e condutas do hospital... (P24); Orientar quanto a rotina do setor (P3); Esclarecer quais são as normas e rotinas do setor e informar qual é o seu papel junto ao paciente. (P13); Fazer todas as orientações e esclarecimentos sobre normas da instituição (P16). A dimensão institucional foi identificada nas atribuições da equipe de enfermagem com 73.3%. Os membros da equipe de enfermagem entendem que o seu papel junto ao familiar acompanhante é o de estabelecer normas e regras, por meio de orientações para que ele possa atuar como elemento ativo no cuidado integral ao cliente hospitalizado, nos aspectos físico, emocional e social.

Dimensão afetiva. Dar apoio emocional... (P30); Acolher o acompanhante... (P5); Ser atencioso com o familiar e demonstrar a satisfação de poder contar com a sua presença (P11). A dimensão afetiva foi identificada nas atribuições da equipe de enfermagem com 30%.

Dimensão moral. Ter um bom relacionamento com o acompanhante para o bem estar do cliente (P1); Ter parceria na relação profissional/acompanhante e estabelecer uma base de respeito para um convívio harmônico (P12); Tornar a relação a mais pacífica possível... (P17); Respeito mútuo entre equipe e acompanhante...(P4). A dimensão moral foi identificada apenas nas atribuições da equipe de enfermagem com 33.3%. Esta dimensão relaciona-se com o respeito e a parceria na relação profissional/familiar acompanhante.

Inclusão da família como unidade do cuidado. Orientação quanto aos cuidados que o acompanhante fará após a alta do cliente (P26); Orientar sobre a importância do familiar no acompanhamento dos cuidados prestados (P5); Mostrar a importância do familiar junto ao cliente para passar mais segurança e bem estar... (P18); Mostrar que a presença do familiar junto ao cliente hospitalizado é importante na sua promoção e recuperação... (P21). A inclusão da família como unidade de cuidado está presente nas atribuições da equipe de enfermagem com 63.3%. Em algumas falas, os profissionais permitem ao acompanhante realizar atividades com os pacientes, o que demonstra que existe interesse na permanência do familiar acompanhante, auxiliando nos cuidados tanto psicológicos quanto biológicos.

 

DISCUSSÃO

Quando o indivíduo adoece, ele se vê obrigado a modificar os seus hábitos de vida, principalmente quando está hospitalizado. Isto gera uma série de sentimentos e expectativas diante do novo desafio e, consequentemente, a sua segurança emocional fica comprometida.10 Nesse contexto, a família é o primeiro elemento de apoio ao paciente. Com isso, não se pode desvincular o indivíduo do meio no qual ele vive, uma vez que a família como grupo, previne, tolera e corrige problemas de saúde dos seus integrantes. Destarte, este familiar deve ser compreendido como um aliado da equipe de enfermagem, atuando como um elemento de suporte na promoção do conforto e na humanização do paciente.1 A interação da família com a equipe de saúde é relevante para ambos, pois a valorização desta interação está alicerçada na sua maior participação no plano de cuidados, estando sensibilizada e envolvida neste contexto.11

As dificuldades na comunicação podem desencadear situações de crise na relação equipe /cliente/família, da mesma forma que uma boa comunicação pode ser eficaz na diluição das tensões. É importante que haja uma conscientização do enfermeiro em relação a uma prática competente para avaliação e intervenção nas situações de assistência à família, por meio de relacionamentos colaborativos entre enfermeiros e família.1 Assim, ressalta-se a importância do papel do familiar acompanhante junto ao cliente e da sua integração com os membros da equipe de enfermagem para pleno desempenho do seu papel, o qual exige controle emocional, bondade e capacidade de ajuda e doação.

Diante disso, a equipe de enfermagem e o familiar acompanhante devem manter uma relação de confiança, segurança e respeito mútuo. Além disso, a relação interpessoal e a interação entre ambos proporcionam uma comunicação eficaz, facilitando as intervenções e os cuidados dos enfermeiros com o cliente hospitalizado. De fato, é fundamental a permanência do acompanhante no período de internação no que diz respeito ao apoio emocional que este pode proporcionar ao paciente, o qual atravessa uma fase crítica da sua vida.12 Além disso, este acompanhante pode ser importante na manutenção de alguns cuidados que representam benefícios ao cliente. Assim, é necessário que eles sejam treinados e orientados sobre os cuidados ao longo do período de internação para que estes mesmos cuidados possam ser desenvolvidos de forma contínua após a alta hospitalar deste cliente.

Constatou-se em algumas falas dos membros da equipe de enfermagem que o familiar acompanhante também pode ser útil quando, diante de qualquer alteração ou dúvida relacionados ao quadro do cliente, solicita a ajuda ou presença da equipe de enfermagem para assistir ao mesmo, favorecendo o atendimento imediato em algumas situações. Há de se acrescentar que, em relação aos cuidados hospitalares, alguns profissionais veem como positiva a interferência da família sob dois aspectos: quando ajuda a enfermagem a cuidar do cliente ou quando dá informações sobre o seu estado. Porém, alguns profissionais encaram a interferência da família como negativa, pois os familiares questionam todos os cuidados prestados pela equipe de enfermagem. Talvez a equipe não compreenda que, quando a família interfere, pode estar expressando a sua afetividade para com seu ente querido.

Após a análise dos dados identificou-se que os membros da equipe de enfermagem entendem que cabe ao acompanhante do cliente hospitalizado proporcionar apoio emocional e auxiliar e/ou fazer cuidados básicos de higiene como trocar fraldas, dar banho e ajudar na alimentação. Isso demonstra que apesar dos membros da equipe de enfermagem atribuírem aspectos negativos à presença do familiar acompanhante no cenário hospitalar, os mesmos entendem que ao estabelecer normas e regras, através de orientações, os familiares acompanhantes podem atuar como elementos ativos de suporte no cuidado integral ao cliente hospitalizado nos aspectos físico, emocional e social. Vale lembrar que a forma de conduzir a relação com o familiar no cuidado ao cliente hospitalizado é coerente com a política atual de humanização no atendimento à saúde, pois ao centrar-se em princípios como a integralidade, equidade e participação social dos usuários, demanda a revisão de práticas cotidianas, criando o espaço dialógico no processo do cuidado.4

A presença da família constitui uma fonte de apoio importante para a recuperação do cliente hospitalizado. Diante disso, é importante que os membros da equipe de enfermagem interajam com os acompanhantes visando minimizar suas ansiedades e angústias de modo a fazê-los participar ativamente na recuperação do ente hospitalizado, além de ser uma medida que fortalece a relação da equipe profissional com os acompanhantes.1,13 Desta forma, se faz necessária a participação do enfermeiro, demonstrando a sua capacidade de estabelecer uma interação que possa beneficiar o relacionamento entre os profissionais da equipe de enfermagem e o paciente, buscando integrar o acompanhante como elemento de suporte na sua recuperação e orientá-lo em todo o processo saúde-doença, durante o período de hospitalização, já que a família geralmente assume a responsabilidade de cuidar do paciente no domicilio após a alta hospitalar, favorecendo assim a continuidade dos cuidados iniciados na hospitalização, contribuindo para reduzir a incidência de complicações que culminam em novas hospitalizações com repercussões na qualidade de vida dos clientes e aumento dos custos institucionais.10

Assim, a inclusão da família como unidade do cuidado possibilita ao familiar acompanhar a evolução do processo saúde-doença do ente hospitalizado. Este se torna um momento para preparar o acompanhante e oferecer orientações importantes no que diz respeito à alta hospitalar, evitando o processo da reinternação hospitalar e contribuindo para a manutenção da qualidade de vida.

Considerações finais

Ao estabelecer um relacionamento mais próximo e terapêutico com a equipe de enfermagem a família pode passar a ver e agir em solidariedade às dificuldades impostas pela própria instituição e ao processo de trabalho da enfermagem. Desse modo, considerando a família como um elemento de apoio ao paciente hospitalizado, é importante manter esse vínculo familiar/cliente para tornar esse ambiente hospitalar mais seguro e acolhedor. Ao assumir a família como parceira, no processo de assistência ao paciente, é necessário considerar e reconhecer que ela é também foco da assistência de enfermagem e sua participação na realização do processo de cuidados ao paciente possa torná-la um elemento importante na recuperação e manutenção da saúde desse cliente, após a alta hospitalar.

Com isso, é necessário ter dentro de uma unidade hospitalar um programa sistematizado de orientação e apoio ao familiar acompanhante para que ele possa auxiliar na assistência e oferecer um suporte emocional, favorecendo a recuperação do cliente hospitalizado. Entretanto, a presença do familiar acompanhante no decorrer da hospitalização e o seu envolvimento no cuidado ao cliente não devem ser vistos como delegação de responsabilidades, ou como complementação nos recursos humanos da equipe de enfermagem. Na realidade, o papel dos profissionais de enfermagem é de parceria com o familiar acompanhante na busca da melhoria da qualidade no cuidado ao cliente hospitalizado.

Torna-se significativo nesta pesquisa a inclusão da família como unidade do cuidado porque apesar de alguns profissionais relatarem como negativa a presença do familiar por interferir nos cuidados ao paciente, mais da metade dos entrevistados relataram como positiva a presença do familiar junto ao paciente hospitalizado, pois ele é capaz de dar um suporte emocional necessário para uma melhor recuperação deste cliente. Além disso, torna-se importante a participação da equipe de enfermagem no processo de interação com o cliente hospitalizado, buscando integrar o familiar acompanhante como elemento na recuperação deste cliente e orientá-lo durante o processo saúde-doença, já que a família geralmente assume a responsabilidade de cuidar do paciente no domicilio, após a alta hospitalar.

Com relação às atribuições do familiar acompanhante, a equipe acredita ser papel do acompanhante o apoio psicológico e as questões associadas à prática de atividades de suporte as suas necessidades básicas, como a alimentação, higiene e auxílio na locomoção. Entretanto, os profissionais relataram que os acompanhantes podem realizar essas funções de acordo com os protocolos institucionais, deixando clara a existência da dimensão institucional nas falas da equipe. Desta forma, é essencial que a equipe de enfermagem contribua para a criação de um clima de bem-estar, interagindo efetivamente com o acompanhante, ou seja, estabelecendo um relacionamento interpessoal positivo com o familiar acompanhante.

Esta relação possibilita a troca de conhecimentos e saberes, de modo que o familiar tenha confiança e sinta-se seguro no sentido de esclarecer, participar, ajudar e interagir com a equipe de enfermagem nos cuidados prestados ao cliente hospitalizado. Assim, este estudo traz perspectivas da sedimentação de um espaço no qual o familiar acompanhante tenha a possibilidade de aprender com a experiência e assim, compartilhar suas dúvidas e necessidades em um espaço dialógico, o que poderá repercutir de forma positiva na sua integração ao cenário do cuidado hospitalar e favorecer a continuidade do cuidado ao cliente no espaço domiciliar.

 

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Abstract : 393

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