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ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE/ ARTIGO ORIGINAL

 

Avaliação do estresse e a inserção de acadêmicos de enfermagem na prática hospitalar

 

Assessment of stress in the inclusion of nursing students in hospital practice

 

Evaluación del estrés en la inserción de los alumnos de enfermería en la práctica hospitalaria

 

 

Francisco Gilberto Fernandes Pereira1; Luana Nunes Caldini2; Maira Di Ciero Miranda3; Joselany Áfio Caetano4

 

1Enfermeiro, Mestrando. Professor do Centro Universitário Estácio do Ceará, Brasil. email: gilberto.fp@hotmail.com

2Enfermeira, Residente em Enfermagem em Oncologia. Escola de Saúde Pública do Ceará, Brasil. email: caldiniluana@gmail.com.

3Enfermeira. Doutora. Professora da Universidade Federal do Ceará –UFC-, Brasil. email: mairadi@bol.com.br.

4Enfermeira, Doutora. Professora da UFC-, Brasil. email: joselany@ufc.br.

 

Fecha de Recibido: Febrero 15, 2014. Fecha de Aprobado: Junio 3, 2014.

 

Artículo vinculado a investigación: Estresse em acadêmicos de enfermagem.

Subvenciones: ninguna.

Conflicto de intereses: ninguno.

Cómo citar este artículo: Pereira FGF, Caldini LN, Miranda MC, Caetano JA. Assessment of stress in the inclusion of nursing students in hospital practice. Invest Educ Enferm. 2014; 32(3): 430-437.

 

DOI: 10.17533/udea.iee.v32n3a08

 


RESUMO

Objetivo. Avaliar a presença de estresse em estudantes de graduação de enfermagem em diferentes palcos da prática hospitalar. Metodologia. Estudo descritivo de corte transversal, no que participaram 86 alunos de enfermagem, do sexto, sétimo e nono semestre em 2011. Empregou-se a escala de Avaliação do Estresse de Estudantes de Enfermagem de Costa e Polak, que tem seis domínios: realização de atividades práticas, comunicação profissional, gerenciamento do tempo, ambiente, formação profissional e atividade teórica. Resultados. Teve um predomínio do sexo feminino (95%), a idade média foi de 23 anos. Aprovaram as matérias do curso o 84% e 91% participaram em atividades extracurriculares. As situações de estresse estão presentes em todo o tempo de formação, mas se intensificam com a inserção do bem-estar estudantil na prática, com ênfase no campo da formação profissional que eram altos em cada semestre. No entanto, as pontuações da interpretação do campo de atividades práticas foram mais altas só no sexto semestre. Teve nível de significância estatística de 0.01 e 0.10 na diferença das médias dos campos e treinamento de gestão de tempo, respectivamente, entre os semestres. Conclusão. Observou-se a presença de estresse nos alunos dos semestres participantes. À medida que o estudante progride em sua formação mudam os domínios afetados na escala de medição que se utilizou. Como o estresse pode interferir no rendimento e aprendizagem do aluno de enfermagem, devem propor estratégias dentro da formação para a redução do mesmo.

Palavras chave: estresse psicológico; estudantes de enfermagem; Estágio Clínico.


ABSTRACT

Objective. To verify the presence of stress among undergraduate nursing students in different stages of hospital practice. Method. Descriptive, cross-sectional study addressing 86 nursing students in their 6th, 7th, and 9th semesters in 2011. An instrument developed by Costa and Polak for the Assessment of Stress Among Nursing Students was used. It is composed of six domains: performance of practical activities, professional communication, time management, environment, professional training, and theoretical activity.  Results. Most participants were women (95%) and the average age was 23 years old. A total of 84% of students passed the program’s courses and 91% participated in extracurricular activities. Stressors are present during the entire program but intensify when students are introduced to care practice with an emphasis on the domain of professional training; related stress was high in all the semesters. The scores concerning the practical activity domain were higher only in the 6th semester. There were statistically significant levels at 0.01 and 0.10 in the difference in the averages in the domains of training and time management, respectively, between the semesters. As the students advance in the program, scores obtained in the domains presented by AEEE change. As stress can interfere in the performance and learning of nursing students, coping strategies should be devised to enable them to deal with stress during the program.

Key words: stress, psychological; students, nursing; clinical clerkship.


RESUMEN

Objetivo. Evaluar la presencia de estrés en estudiantes del pregrado de enfermería en diferentes escenarios de la práctica hospitalaria. Metodología. Estudio descriptivo de corte transversal, en el que participaron 86 alumnos de enfermería, del sexto, séptimo y noveno semestre en 2011. Se empleó la escala de Evaluación del Estrés de Estudiantes de Enfermería de Costa y Polak, que tiene seis dominios: realización de actividades prácticas, comunicación profesional, gerenciamiento del tiempo, ambiente, formación profesional y actividad teórica. Resultados. Hubo un predominio del sexo femenino, 95%; la edad promedio fue de 23 años; aprobaron las asignaturas del curso el 84%; y participaron en actividades extracurriculares, 91%. Las situaciones de estrés están presentes en todo el tiempo de formación, pero se intensifican con la inserción del bienestar estudiantil en la práctica, con énfasis en el campo de la formación profesional que son altos en cada semestre. Sin embargo, las puntuaciones de la interpretación del campo de actividades prácticas fueron más altas sólo en el sexto semestre. Hubo nivel de significancia estadística de 0.01 y 0.10 en la diferencia de los promedios de los campos y entrenamiento de gestión de tiempo, respectivamente, entre los semestres. Conclusión.Se evaluó la presencia de estrés en los alumnos de los semestres participantes. A medida que el estudiante progresa en su formación cambian los dominios afectados en la escala de medición que se utilizó. Como el estrés puede interferir en el rendimiento y aprendizaje del alumno de enfermería, se deben proponer estrategias dentro de la formación para la reducción del mismo.

Palabras clave: estrés psicológico; estudiantes de enfermería; prácticas clínicas.


 

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos tem havido interesse no fenômeno estresse, que é entendido como o resultado do embate entre determinada dificuldade e a capacidade individual de superá-la. Suas consequências podem estar intimamente relacionadas à resposta individual diante de determinada demanda, ou seja, a reação que o individuo apresenta varia desde um desafio estimulante a uma ameaça a ser enfrentada.1 Esse fenômeno psicobiológico tem sido estudado a partir da década de 50 e desde então algumas associações têm sido estabelecidas, como por exemplo, a sua influência no comportamento e na produtividade do trabalhador da saúde, apontando inclusive a enfermagem como uma das profissões onde este evento ocorre com maior frequência.2-4 O estresse está presente em muitas situações cotidianas e a forma como se reage ao estímulo estressante determinará as consequências advindas do mesmo, podendo afetar tanto a vida pessoal quanto o desempenho profissional do indivíduo. Assim, cada indivíduo reage de forma distinta a diferentes estímulos. Pesquisas5,6 evidenciaram que existe um determinado grau de estresse ainda na formação acadêmica do enfermeiro, ou seja, durante a graduação, e com enfoque mais específico na inserção destes estudantes no campo de estágio hospitalar.

Na prática hospitalar, os alunos de graduação em enfermagem são confrontados com uma série de fatores estressores, tais como: realização de procedimentos técnicos; uso de novas tecnologias e equipamentos; supervisão constante do docente; provas; sistema de avaliação da prática; relação com o doente; a incerteza da expectativa do docente em relação a sua atuação acadêmica; e, a própria dinâmica hospitalar. Os fatores estressores podem tornar o aprendizado difícil com possibilidade de erros, falta de concentração e oscilação dos níveis de atenção.7

Sobre os fatores de estresse que se destacam dentro do sistema curricular universitário, podem-se mencionar, entre outros: professores, avaliações, grade curricular, exigências acadêmicas e atividades práticas com pacientes ou em laboratórios. O estresse está mais presente nos universitários em determinados momentos, como em épocas de provas e exames e ao enfrentar certas situações; como por exemplo, ser examinado por um professor que possua determinadas características que levem o estudante a sentir-se pressionado ou nervoso.8 Existem vários instrumentos ou questionários disponíveis que permitem avaliar o nível de estresse nas mais diversas situações, com destaque para os específicos que se constituem uma maneira de avaliar determinados aspectos do estresse de forma individual e específica do fenômeno. Analisando-se especificamente os estudantes de enfermagem, o que se observa é o reduzido número de instrumentos que se destinam a avaliar os fatores e o nível de estresse, com destaque para a Student Nurse Stress Index9 que relaciona o estresse entre os estudantes de enfermagem; o Questionário Bilíngüe do Estresse dos Estudantes de Enfermagem nas Práticas Clínicas – KEZKAK;10 e, o instrumento para Avaliação de Estresse em Estudantes de Enfermagem (AEEE).11 No Brasil, a Escala de Estresse em Estudantes de Enfermagem (AEEE) foi construída e validada por Costa e Palak11 em 2008 com o objetivo de avaliar o grau de estresse entre estudantes de enfermagem, tendo como base teórica a compreensão de estresse conforme o modelo interacionista do estresse proposto por Lazarus e Folkman, e a Student Nurse Stress Index (SNSI).9

A AEEE é composta de 30 itens subdivididos em seis domínios, os quais possuem correlação entre si: realização das atividades práticas, comunicação profissional, gerenciamento do tempo, ambiente, formação profissional e atividade teórica. Sua finalidade é permitir a avaliação do estresse entre estudantes de enfermagem como variável em estudos ou para fins educacionais.11 A contribuição deste estudo está no fato de permitir identificar os principais fatores de estresse de acordo com cada semestre e a partir disso, proporcionar dados para desenvolver meios para reduzi-los, de forma que proporcione uma vida acadêmica mais saudável com melhor aproveitando acadêmico.

É objetivo deste estudo, avaliar a presença do estresse em estudantes de graduação em enfermagem nos diferentes cenários da prática hospitalar. Assim, considerando o exposto, acreditamos ser relevante a realização de uma investigação em estudantes de graduação em enfermagem sobre a presença do estresse, já que pode ocasionar problemas de ordem orgânica como psicológica, tais como irritabilidade, dificuldade de concentração e isolamento social. É importante que o docente perceba o nível de estresse dos estudantes e assim criem estratégias para minimizar o nível de estresse, inclusive com atuação preventiva.

 

METODOLOGIA

Estudo transversal, descritivo, realizado com os estudantes de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. O curso de enfermagem é estruturado em nove semestres com introdução dos alunos na prática hospitalar a partir do sexto semestre visando à formação do enfermeiro generalista com vistas à promoção, prevenção, proteção e reabilitação à saúde. Durante a execução da pesquisa o número de alunos matriculados no curso era 120 alunos, dos quais 40 estavam no sexto semestre, 30 no sétimo e 30 no nono semestre. A população do estudo foi composta por 86 estudantes, dos quais foram 37 do sexto semestre, 25 do sétimo, e 24 do nono semestre, sugeridos com base no cálculo de amostra para populações finitas, considerando margem de confiança de 95%, proporção de sucesso 90% e margem de erro amostral de 5%. Todos os alunos incluídos na pesquisa estavam cursando disciplinas com carga horária de prática hospitalar obrigatória. A coleta de dados foi realizada no início e ao térmico do semestre, nos meses de setembro e novembro de 2011 com estudantes do sexto, sétimo e nono semestres, os quais possuem disciplinas com carga horária de prática hospitalar obrigatória, sendo o sexto semestre o momento inicial em que o aluno desenvolve procedimentos de complexidades variadas diretamente com o paciente no hospital, o sétimo aborda técnicas básicas de obstetrícia, ginecologia e pediatria em serviços de emergência e enfermarias, já o nono é o momento da vivência do estágio supervisionado, em que o aluno desenvolve suas atividades práticas sob a supervisão de enfermeiros assistenciais dos serviços hospitalares sem a presença constante do docente.

Como instrumentos de coleta de dados foram utilizados um questionário para identificação de dados sócio-escolares, em que se buscou identificar: sexo, idade, semestre em curso, participação em atividades de pesquisa e extensão e histórico acadêmico; e, uma escala de avaliação de estresse em estudantes de enfermagem (AEEE),11 ambos foram preenchidos pelos próprios sujeitos da pesquisa e recolhidos pelos autores. Após o preenchimento da AEEE, foi realizado o cálculo dos escores conforme recomenda as autoras, observando que o domínio com maior pontuação foi considerado predominante e com maior intensidade de estresse para o respondente. Os domínios são classificados em de acordo com a AEEE: a) Domínio 1 - realização das atividades práticas - (6 itens): Refere-se ao conhecimento técnico adquirido pelo aluno para realização de procedimentos e sentimentos envolvidos na prestação de cuidados ao paciente; b) Domínio 2 - comunicação profissional - (4 itens): retrata as dificuldades da comunicação e relacionamento com elementos do convívio profissional; c) Domínio 3 - gerenciamento do tempo - (5 itens): Dificuldades em conciliar as atividades acadêmicas com as emocionais e pesso;ais; d) Domínio 4 – ambiente - (4 itens) relaciona-se à dificuldade de acesso aos campos de prática; e) Domínio 5 - formação profissional - (6 itens): Inclui a preocupação com o conhecimento adquirido e o impacto na vida profissional futura; e 6) Domínio 6 - atividade teórica - (5 itens): reflete o grau de dificuldade apresentado pelos estudantes com o conteúdo programático, as atividades e metodologias utilizadas.

A interpretação dos escores classifica o nível de estresse com os domínios do seguinte modo: Domínio 1: 0-9 baixo nível de estresse; 10-12 médio nível de estresse; 13-14 alto nível de estresse; 15-18 muito alto nível de estresse. Domínio 2: 0-5 baixo nível de estresse; 6 médio nível de estresse; 7-8 alto nível de estresse; 9-12 muito alto nível de estresse. Domínio 3: 0-10 baixo nível de estresse; 11-12 médio nível de estresse; 13-14 alto nível de estresse; 15 muito alto nível de estresse. Domínio 4: 0-7 baixo nível de estresse; 8-10 médio nível de estresse; 11 alto nível de estresse; 12 muito alto nível de estresse. Domínio 5: 0-9 baixo nível de estresse; 10 médio nível de estresse; 11-12 alto nível de estresse; 13-18 muito alto nível de estresse. Domínio 6: 0-9 baixo nível de estresse; 10-11 médio nível de estresse; 12-13 alto nível de estresse; 14-15 muito alto nível de estresse.11

Para a análise estatística foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences- SPSS, na versão 15.0 para Windows, onde foi realizado cálculo da frequência, e médias e o teste de Kruskal-Wallis para analisar a variância da pontuação entre os estudantes. Para a análise estatística dos dados foi considerado o nível de significância de 5%. A apresentação dos dados foi realizada em forma de tabela e figura, descrição direta das informações, e discussão baseada na literatura de referência para o tema. Foi solicitada autorização da coordenação do curso de Enfermagem para a realização dessa investigação, e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFC com o número de protocolo 191/11. Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, nos termos da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa.12

 

RESULTADOS

Foram estudados alunos do 6º, 7º e 9º semestre, totalizando 71% (86) acadêmicos de Enfermagem de uma população de 120. Observou-se predomínio do sexo feminino com 95.3% (81) e que não tiveram reprovação em disciplinas do curso 84.3% (75). Em relação a atividades extracurriculares 91% (81) participavam de projeto de pesquisa, 40.4% (36) participam do Programa de Educação Tutorial (PET) ou monitoria e 22,1% (19) atuavam em entidades representativas de classe. Quanto à idade dos alunos, obteve-se uma média de 23.1 anos, onde a menor e maior idade foram 20 e 31 anos, respectivamente.

Em relação aos domínios na escala AEEE, a análise da variância da pontuação entre os grupos de estudantes dos semestres analisados, foram obtidas distribuições simétricas nos domínios da escala com relação a cada semestre, pois as medianas não estavam posicionadas de forma equidistante dos extremos das caixas. Observou-se também que as maiores pontuações foram obtidas nos sexto e sétimo semestres, com pontuações acima de 15 pontos, sendo em ambos a maior pontuação no domínio 5 – Formação profissional. No sexto semestre pode ser observado que no domínio 4, a pontuação obtida indicou baixo e médio estresse nas situações vivenciadas, sendo a caixa que apresenta maior assimetria. Neste semestre houve dois valores atípicos, representado por dois acadêmicos que não vivenciaram nenhuma das situações nos domínio 2 e 4 (Grafica 1).

No sétimo semestre os dados apresentaram maior assimetria nos domínios 2 e 3. Esses valores foram representados com valores atípicos no gráfico. No nono semestre a distribuição dos dados possuía uma assimetria menor do que nos outros semestres, não apresentando valores atípicos. Foram observadas pontuações menores neste semestre, evidenciando um menor nível de estresse nos acadêmicos do nono semestre em relação aos outros.

Gráfica 1. Mediana, valor máximo e mínimo das pontuações de cada domínio por semestre. Fortaleza-Ceará. 2011

Em relação ao domínio 1 – realização das atividades práticas - observamos presença de alto nível de estresse entre os alunos do 6º semestre e médio estresse nos alunos do 7º e 9º semestres sem significância estatística em relação à variância das médias (p= 0.059). No domínio 2 – comunicação profissional - os alunos do 6º semestre foram proporcionalmente semelhantes no resultado obtido para os alunos do 7º semestre apresentavam nível médio de estresse e do 9º semestre apresentaram baixo nível de estresse, sem significância estatística em relação à variância das médias (p= 0.878).

No domínio 3 – gerenciamento do tempo -, assim como no domínio 4 – ambiente - em todos em semestres houve baixo nível de estresse, porém só no domínio 3 - gerenciamento do tempo - houve diferença entre as médias dos alunos dos semestres estudados, sendo estatisticamente significante (p=0.01). No domínio 5 – formação profissional, todos os alunos apresentaram estresse muito alto, sem diferença estatisticamente significante em relação às médias obtidas. No último domínio – atividade teórica apenas o 6º semestre apresentou médio nível de estresse; o 7º e o 9º semestre apresentaram baixo nível de estresse, houve diferença estatisticamente significante em relação à diferença das médias dos grupos (Tabela 1).

Tabela 1. Relação dos domínios da Escala de Estresse em Estudantes de Enfermagem versus semestre cursado pelo acadêmico. Fortaleza-Ceará. 2011

 

DISCUSSÃO

Sobre o predomínio do sexo feminino nos estudantes de enfermagem é uma característica frequente encontrada em vários estudos com essa população,5,8 pois como se sabe a enfermagem é uma profissão eminentemente feminina tendo essa explicação nas suas raízes históricas. Foi observado ainda que a participação expressiva em atividades extracurriculares não prejudicou o rendimento acadêmico dos estudantes corroborando com dados de uma pesquisa chilena a qual concluiu que a vivência das atividades extracurriculares tem impacto positivo no desenvolvimento de habilidades de convivência, comunicação, elaboração do raciocínio crítico e organização da vida estudantil.13

Independentemente do semestre em que os acadêmicos de enfermagem estavam matriculados as situações de estresse estiveram sempre presentes durante o período da graduação, como por exemplo, o ingressar na faculdade, disciplinas com práticas laboratoriais não antes realizadas, como também carga horária semanal distribuída em dois turnos.

Os estudantes do último semestre passam a vivenciar situações de estresse semelhantes aos profissionais causados pelas exigências administrativas da instituição de trabalho, a obrigatoriedade em desempenhar as atividades de liderança na equipe de enfermagem, como também a assistência, na maioria das vezes, em pacientes críticos.14,15 A aquisição de habilidades técnicas para execução de procedimentos de enfermagem avaliados como fatores estressores no domínio 1, foi pontuada com maior ênfase no sexto semestre, e decaiu no sétimo e nono, o que corrobora com um comportamento averiguado também em outro estudo,16 o qual observou que a medida que o acadêmico progride em sua formação, o medo e a insegurança em realizar atividades típicas da profissão que envolvem cuidados diretos ao paciente, com certo grau de complexidade, vão diminuindo, denotando maior compromisso do estudante e sequenciamento lógico do plano pedagógico do curso.

O domínio 2 que retrata as dificuldades sentidas pelos acadêmicos na comunicação com os profissionais do setor onde realizam os estágios, não foi considerado fator de alto nível de estresse. A explicação para esse achado deve-se, provavelmente, ao fato de que as atividades hospitalares desempenhadas por eles são realizadas em um hospital de ensino, onde os profissionais têm preparo e treinamento ao ingressarem na instituição para saber lhe darem com os estudantes, no intuito de criar uma relação mais amistosa.

Em relação ao nível de estresse em todos os semestres investigados foi observado nível muito alto no domínio de formação profissional, diferentemente do encontrado na literatura, onde este domínio foi mais determinante para o estresse apenas no último semestre, onde a proximidade com o termino do curso, aumentam as expectativas não mais como alunos, mas sim como enfermeiros.17 Essa fase de transição aluno-enfermeiro é apresentada como estressora, bem como o desafio quanto ao mercado de trabalho e a responsabilidade profissional.18

No domínio realização de atividade práticas, o sexto semestre apresentou alto nível de estresse, o que pode ser justificado pelo fato dos acadêmicos iniciarem as atividades na prática hospitalar. Estudos relacionados a transtornos psíquicos em estudantes de enfermagem, em sua maioria, associam o inicio dos sintomas à inserção do aluno no campo hospitalar.19 O aprendizado prático de uma profissão como a enfermagem, que lida com uma das mais explícitas demonstrações do limite do homem – a doença e a morte – é, também, viver o próprio limite: é o encontro de fragilidades entre o racional e o emocional. O cotidiano deste estudante passa a ser marcado por sentimentos de dúvida, decepção, ansiedade, medo, tristeza, raiva e angústia.20 Um olhar pelas circunstâncias enfrentadas com o início da prática hospitalar permite observar que poderão existir várias condições para que a vivência no hospital seja sentida pelo aluno como uma situação de estresse. Na instituição pesquisada, é no sexto semestre que ocorre o primeiro contato direto dos estudantes com o hospital. Nesse novo ambiente o discente vive um universo de reações, como ansiedade, medo e tensão, devido à entrada brusca em uma situação ainda desconhecida e as dificuldades de relacionamento ora estabelecidas com os colegas, o professor, os profissionais do serviço hospitalar e os pacientes. Neste sentido, algumas estratégias podem devem ser repensadas para diminuir a possibilidade do estresse e consequentemente interferir no rendimento e aprendizagem do acadêmico, como por exemplo: humanização do processo de ensino-aprendizagem, prolongamento do período de treinamento em laboratórios com peças anatômicas e com simulação de situações similares às enfrentadas no hospital, e, estímulo dos docentes e da família desses estudantes ao desenvolvimento de medidas de enfrentamento do estresse.

Conclusão. Por ser uma profissão que visa o cuidado de pessoas, muitas vezes em situações críticas, observou-se a presença de estresse em níveis variados nos semestres avaliados. Nota-se que à medida que o acadêmico progride na sua formação, mudam-se os escores dos domínios apresentados pela AEEE, a qual apresentou fácil aplicabilidade e coleta de resultados expressivos. As situações de estresse estão presentes ao longo da graduação, onde se intensificam com a inserção do aluno na prática assistencial, com destaque para o domínio da formação profissional que esteve alto em todos os semestres. No entanto, os escores do domínio realização de atividades práticas foram mais elevados apenas no sexto semestre. Constatou-se nível estatisticamente significativo de 0.10 e 0.01 na diferença das médias dos domínios gerenciamento do tempo e formação profissional, respectivamente, entre os semestres avaliados.

 

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Abstract : 891

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