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ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE/ ARTIGO ORIGINAL

 

Prevalência e fatores associados à pre-hipertensão arterial em mulheres

 

Prevalence of prehypertension and associated factors in women

 

Prevalencia y factores asociados prehipertensión arterial en mujeres

 

 

José do Carmo Rocha1; Maria Teresa Bustamante Teixeira2; Gulnar Azevedo e Silva3; Kristiane de Castro Dias4; Maria Lúcia Salim Miranda Duque5

 

1Enfermeiro, Mestre. Enfermeiro do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil. email: zenf66@bol.com.br.

2Médica, Doutora. Professora Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil. email: teitabt@hotmail.com.

3Médico, Doutor. Professor Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. email: gulnar@ims.uerj.br.

4Enfermeira, Mestre. Enfermeira da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, Brasil. email: krisduque@hotmail.com.

5Assistente Social, Mestre. Assistente Social da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, Brasil. email: marialsmm@gmail.com.

 

Fecha de Recibido: Noviembre 20, 2013. Fecha de Aprobado: Junio 3, 2014.

 

Artículo vinculado a investigación: ninguna.

Subvenciones: Este projeto recebeu apoio da FAPEMIG (Edital Universal - APQ-01272-11) e do CNPq edital Universal é: 478949/2010-3. -Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para o Controle do Câncer.

Conflicto de intereses: ninguno.

Cómo citar este artículo: Rocha JC, Teixeira MTB, Silva GA, Duque KCD, Salim ML. Prevalence of prehypertension and associated factors in women. Invest Educ Enferm. 2014; 32(3): 471-479.

 

DOI: 10.17533/udea.iee.v32n3a12

 


RESUMO

Objetivo. Estimar a prevalência de fatores associados a pré-hipertensão em mulheres de 20 a 59 anos, vinculadas a duas unidades básicas de saúde que adotaram a Estratégia de Saúde Familiar. Metodologia. Estudo de corte transversal realizado no município del sudeste de Minas Gerais, Brasil. A população consistiu em 1 773 mulheres com pressão arterial menor de 140/90 mm Hg. A variável dependente foi a pré-hipertensão arterial (≥120/80 mmHg a <140/90 mmHg). Resultados. A prevalência de pré-hipertensão foi de 20.6%. A análise multivariado mostrou que tinham um maior risco de pré-hipertensão as mulheres de 40 e mais anos, com pele negra ou parda, com sobrepeso ou obesidade e aquelas com história familiar de hipertensão. Conclusão. Ainda que a prevalência encontrada nesta investigação é menor à reportada por outros estudos, é necessário que as enfermeiras fortaleçam os esforços na prevenção e detecção da pré-hipertensão, especialmente nos grupos de maior risco.

Palavras-chave: epidemiologia; estudos transversais; pré-hipertensão; mulheres.


ABSTRACT

Objective. To estimate the prevalence of factors associated with prehypertension among 20 to 59 years old women cared for by primary healthcare units that adopted the Family Health Strategy. Method. Cross-sectional study conducted in a city in the interior of Minas Gerais, Brazil. The study’s population was composed of 1,773 women with blood pressure below 140/90 mm ​​Hg. The dependent variable was prehypertension (≥120/80 mmHg to <140/90 mmHg). Results. The prevalence of prehypertension was 20.6%. The multivariate analysis showed that overweight or obese women of African descent, 40 years old or older with a family history of hypertension, had an increased risk of presenting prehypertension. Conclusion. Although the prevalence found in this study is lower than that reported by other studies, nurses need to implement efforts to prevent and detect prehypertension, especially among high-risk groups. 

Key words: epidemiology; cross-sectional studies; prehypertension; women.


RESUMEN

Objetivo. Estimar la prevalencia de factores asociados a prehipertensión en mujeres de 20 a 59 años, adscritas a dos unidades básicas de salud que adoptaron la Estrategia de Salud Familiar. Metodología. Estudio de corte transversal realizado en el municipio del sudeste de Minas Gerais, Brasil. La población consistió en 1 773 mujeres con presión arterial menor de 140/90 mm ​​Hg. La variable ​​dependiente fue la prehipertensión arterial (≥120/80 mmHg a <140/90 mmHg). Resultados. La prevalencia de prehipertensión fue de 20.6%. El análisis multivariado mostró que las mujeres de 40 y más años, con piel negra o parda, con sobrepeso u obesidad y aquellas con historia familiar de hipertensión, tenían un mayor riesgo de prehipertensión. Conclusión. Aunque la prevalencia encontrada en esta investigación es menor a la reportada por otros estudios, es necesario que las enfermeras fortalezcan los esfuerzos en la prevención y detección de la prehipertensión, especialmente en los grupos de mayor riesgo.

Palabras clave: epidemiología; estudios transversales; prehipertensión; mujeres.


 

INTRODUÇÃO

A variável pressão arterial (PA) tem distribuição normal entre a população e sua elevação está associada à doença cardiovascular. Não há um valor-limite que separe os hipertensos que terão um evento cardiovascular daqueles que não o terão. O risco de doença cardiovascular depende da pressão arterial e dos fatores coexistentes.1 Segundo Magrini e Martini,2 a PA pode ser classificada como limítrofe quando os valores de pressão arterial sistólica (PAS) estão entre 130-139 mmHg, e pressão arterial diastólica (PAD) entre 85-89 mmHg; enquanto que a PAS normal é maior que 130 mmHg, e a diastólica é maior que 85 mmHg. A Pressão arterial é classificada como ótima quando a PAS for menor que 120 mmHg e a PAD menor que 80 mmHg. Nesta perspectiva, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) incentivam estratégias que diminuam os impactos causados pela alteração de PA, por meio de seu controle e prevenção.

O termo pré-hipertensão foi descrito em 2003 nas Diretrizes Americana de Hipertensão Arterial3 para alertar sobre a elevação da pressão sanguínea e o risco de progressão para hipertensão e doença cardiovascular. São considerados pré-hipertensos os indivíduos com níveis de pressão sanguínea sistólica entre 120 e 139 mmHg e/ou a pressão diastólica entre 80 e 89 mmHg. A Sociedade Brasileira de Cardiologia em seu I Posicionamento Brasileiro sobre Pré-hipertensão, Hipertensão do Avental Branco e Hipertensão Mascarada, de 2014, adota este mesmo diagnóstico para pré-hipertensão e destaca a importância da valorização e intervenção nesta condição como uma oportunidade para a Prevenção de HAS e consequentemente para a redução do risco cardiovascular nos indivíduos que apresentam tal condição.4A pré-hipertensão é, portanto, considerada como um estágio intermediário para a hipertensão arterial.5,6

A prevalência de pré-hipertensão arterial, fatores de riscos e incidência de eventos cardiovasculares foram determinados em uma coorte de 60 785 mulheres australianas, pós-menopausa, acompanhadas por 7.7 anos. A pré-hipertensão foi identificada em 39% das mulheres, e observou-se que estas tiveram aumento de 58% do risco de morte por evento cardiovascular, 76% de risco para infarto do miocárdio, 93% de aumento de risco para derrame, 36% de aumento do risco para hospitalização por falência cardíaca e 66% de aumento do risco para qualquer outro evento cardiovascular.7 A incidência de hipertensão arterial aumenta com a idade até a quinta década de vida, particularmente entre os indivíduos com pressão normal alta. Quatro em cada cinco indivíduos com pré-hipertensão com idade entre 40 e 49 anos desenvolveram hipertensão arterial em dez anos.7

O presente estudo teve como objetivo estimar a prevalência de pré-hipertensão e fatores associados em mulheres adstritas a duas Unidades de Saúde, localizadas em um município da zona da mata mineira, cujo modelo de atenção é a Estratégia Saúde da Família (ESF). É importante para o enfermeiro conhecer o perfil dos usuários dos serviços da atenção básica a fim de incentivar o controle da PA e a prevenção da hipertensão arterial.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo transversal com captação domiciliar e coleta de dados realizada em duas Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) em um município de médio porte, localizado na Zona da Mata, sudeste de Minas Gerais. O presente estudo é parte integrante da pesquisa “Avaliação de estratégias para o rastreamento do câncer do colo do útero em mulheres cobertas pela Estratégia de Saúde da Família no município de Juiz de Fora, Minas Gerais”, uma parceria do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo e o Núcleo de Assessoria e Estudos em Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora. A fim de garantir as questões éticas, a presente pesquisa foi aprovada pela Comissão de Ética do Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), conforme parecer número 0026.1.259.180-09.

A coleta de dados foi realizada entre outubro de 2010 e agosto de 2012. Foram abordadas 2077 mulheres com idade entre 20 e 59 anos, residente nas áreas adscritas às UAPS. No presente estudo foram incluídas 1773 mulheres cuja pressão arterial foi menor que 140/90 mmHg, sendo portanto excluídas desta análise às que foram consideradas hipertensas (28.7%). Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário estruturado elaborado a partir de adaptação feita do questionário da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2013 pelo IBGE e Ministério da Saúde, após a autorização de seus coordenadores. Este questionário foi aplicado por profissionais de nível superior previamente capacitados. Após as entrevistas foram verificadas as medidas de da pressão arterial, peso, altura, circunferência abdominal e, posteriormente, foi realizado o exame ginecológico e coleta para exame Papanicolaou.

A pressão arterial foi aferida por meio de duas medidas independentes com intervalo de um minuto entre ambas, com a participante assentada, com o antebraço próximo ao nível do coração. Procedimento foi realizado conforme as normas e técnicas de enfermagem para aferição dos sinais vitais8 que vão ao encontro das recomendações descritas na VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.9 Os aparelhos foram calibrados conforme manutenção técnica da unidade de saúde.

Para a avaliação antropométrica foi aferido o peso por meio de balança eletrônica da marca “Tanita” com divisão de 0.1g, e a estatura por meio de um estadiômetro marca “Altura Exata” com divisão de 0.1cm. A cintura abdominal foi aferida com a mulher em pé com fita métrica inelástica passando pela cicatriz umbilical envolvendo toda circunferência abdominal. Dado avaliado no final de uma expiração normal com o avaliador em frente à mulher.

A coleta de dados foi realizada em local reservado e individualizado, por enfermeiras antes da realização do exame ginecológico. Após a entrevista o instrumento de coleta de dados foi examinado e revisado por supervisores de campo, a fim de garantir o controle de qualidade. Os questionários foram guardados em local seguro até o envio para a digitação. Os dados foram armazenados em um banco desenvolvido no programa Epi Info (versão 6.04b). Determinou-se como variável dependente dicotômica a presença de pré-hipertensão, ou seja, Pressão Arterial Sistólica (PAS) entre 120-139 mmHg ou Pressão Arterial Diastólica (PAD) entre 80-89 mmHg.4,10

As variáveis independentes foram agrupadas em variáveis sócio-demográficas (idade, cor da pele autoreferida, situação conjugal, escolaridade, apoio social); estilo de vida (consumo de bebida alcoólica e uso de tabaco e prática regular de atividade física); situação de saúde (autoavaliação do estado de saúde, tempo de aferição de PA, história familiar de HA) e dados aferidos (IMC, circunferência abdominal).

Os dados antropométricos foram avaliados a partir do Índice de Massa Corporal (IMC) obtido pela divisão entre o peso corporal (medido em quilogramas) e o quadrado da altura (medida em metros). Foi considerado como excesso de peso o IMC com valor igual ou superior a 25 kg/m2 e obesidade abdominal a circunferência abdominal maior ou igual a 88 cm.11

A análise desenvolveu-se com os seguintes passos: análise univariada para a descrição da distribuição das variáveis dependente e independentes na população estudada; análise bivariada para identificação da associação de cada uma das variáveis independentes com o desfecho em pauta, efetuada pelo cruzamento com a variável dependente, dicotômica. Para a análise multivariada, foram selecionadas as variáveis que apresentaram valor de p < 0.20 na análise bivariada. Foram consideradas no modelo final as seguintes variáveis: idade, cor/raça; história familiar de pressão alta, IMC e circunferência abdominal. As análises foram realizadas no programa Stata 11.0.

 

RESULTADOS

Entre 1 773 mulheres avaliadas, constatou-se uma prevalência de pré-hipertensão de 20.6. Do total das mulheres incluídas nesta análise, 85% concluíram o ensino médio, 53% estavam empregadas e 52% declaram ser da raça negra ou ter cor da pele preta ou parda. Contam com apoio de amigos e/ou parentes 88% das mulheres, 40% consideraram-se em boas ou muito boas condições de saúde. O consumo de bebidas alcoólicas referido nos últimos 30 dias foi comum a 57% das mulheres. Quando questionadas sobre o consumo de quatro ou mais doses de bebida alcóolica em uma única ocasião, responderam positivamente 22% das entrevistadas. Em relação ao histórico e cuidados com a saúde, afirmaram não praticar atividades físicas 77% delas, 21% usavam tabaco conforme tabela seguinte:

Tabela 1. Características demográficas e socioeconômicas de 1 773 mulheres de 20 a 59 anos, adstritas a E.S.F de um Município da Zona da Mata Mineira entre Outubro de 2010 a Agosto de 2012

*O total (n) de cada variável pode diferir devido à ocorrência de dados ignorados.

Ainda em relação aos cuidados de saúde, 61% aferiram a pressão arterial há menos de seis meses e 80% relataram história familiar positiva para hipertensão arterial. Fazem uso de contraceptivos 71% das entrevistadas. Em relação ao peso corporal e circunferência abdominal estão acima do padrão considerado normal 58% e 57% das participantes do estudo, respectivamente (Tabela 1).

Na análise bivariada (Tabela 2), a presença de pré-hipertensão mostrou-se associada a fatores como idade, raça/cor, história familiar positiva para Hipertensão arterial, índice de massa corporal e circunferência abdominal. A prevalência do evento aumentou de acordo com a faixa etária, apresentando razões de prevalência de 2.1 em mulheres de 30 a 39, de 4.0 na faixa de 40-49 anos e de 4.7 nas de 50-59 anos, quando comparadas às mulheres mais jovens (Tabela 2).

Tabela 2. Fatores associados e prevalência de pré-hipertensão em 1 773 sem hipertensão arterial, adstritas a E.S.F de um Município da Zona da Mata Mineira no período entre Outubro de 2010 a Agosto de 2012

*O total (n) de cada variável pode diferir devido à ocorrência de dados ignorados.

Conforme já descrito para a análise multivariada, foram selecionadas as variáveis que apresentaram valor de p 0.20 na análise bivariada. Foram consideradas no modelo final as seguintes variáveis: idade, cor/raça; história familiar de pressão alta, IMC e circunferência abdominal.

Tabela 3. Análise multivariada de prevalência de fatores associados e pré-hipertensão em 1773 sem hipertensão arterial, adstritas a Estratégia Saúde da Família de um Município da Zona da Mata Mineira, entre Outubro de 2010 a Agosto 2012

 

DISCUSSÃO

A prevalência de pré-hipertensão de 20.6 nas mulheres estudadas foi menor do que os valores de 35.6% encontradas por Nery et al.12 em adultos da cidade de Niterói (RJ); 39.8 % em trabalhadores húngaros;13 e 33.6 % por Meng et al.14 entre chineses. Nosso estudo está de acordo com Yadav et al.15 no que diz respeito ao aumento significativo da pré-hipertensão a partir de 30-39 anos de idade em estudo realizado com a população indiana. Conforme estudo realizado na cidade de Florianópolis, Silva et al.16 observaram que as mulheres com idades entre 50-59 anos apresentaram chance 79% maior de pré-hipertensão em relação as de 20-29 anos. Segundo Pearson,17 as alterações de PA iniciam na meia idade e tendem a diminuir após os 70 anos.

Em relação à raça, as mulheres que se autorreferiram negras apresentaram, neste estudo, 20% maior probabilidade de apresentar o evento em relação as que se declaram de outra raça/cor, prevalência menor do que as encontradas por Glasser et al.6 em mulheres norte-americanas, cuja prevalência de pré-hipertensão foi de 62.9% em negras e de 54.1% em brancas. Isesuo18 encontrou, em mulheres nigerianas, alta prevalência de pré-hipertensão (58.8%). O estudo de Silva et al.16, mostrou associação entre a cor da pele preta e pré-hipertensão, o que, segundo os autores, pode refletir, além das características genéticas, as condições sociais discrepantes entre negros e brancos. Pessoas com História familiar positiva para hipertensão arterial possuem maior vulnerabilidade para pré-hipertensão.19,20

Isesuo18 destaca também que na quinta década de vida, de 40-49 anos, a obesidade é um dos fatores associados à hipertensão e pré-hipertensão. O autor considera ainda que esse período de vida representa um momento de transição da pré-hipertensão para a hipertensão. Os autores expressam que o sobrepeso e obesidade contribuem significativamente com a prevalência de pré-hipertensão e são passíveis de intervenção. Conhecendo características antropométricas de um determinado grupo de pessoas adstritas, é possível estimular na atenção primária medidas que busquem modificar o perfil epidemiológico.

Conforme Isezuo,18 Guo et al.21 e Gupta,22 a pré-hipertensão está significativamente associada à obesidade e ao excesso de peso tanto em relação ao IMC quanto à circunferência abdominal. Na pesquisa em tela, as mulheres que apresentaram IMC maior ou igual a 25 kg/m² e circunferência abdominal igual ou maior a 88 cm, também tiveram maior probabilidade de pré-hipertensão. Moreira et al.23 encontraram associação positiva entre alteração de PA e indicadores antropométricos. Em seus estudos, o autor destaca que indivíduos com IMC > 24.4 apresentam 2.7 vezes mais chances de elevação de PA, concordando com Jardim et al. 24

Moreira et al.23 ainda observaram que as mulheres com circunferência abdominal maior do que 80 cm tiveram 2.5 vezes mais chance de elevação de PA, dados próximos aos encontrados nesta pesquisa. Sokondi et al.,13 Lin et al.;25 Singh et al.;26 e Paz et al27 também encontraram forte associação entre o IMC e alterações de pressão arterial. A pesquisa em tela mostrou que, após análise multivariada (Tabela 3), que tanto o IMC quanto a circunferência abdominal apresentaram associação significativa com a pre-hipertensão arterial. Rezende et al.28 concluíram que o excesso de peso e obesidade abdominal correlacionaram-se com a maioria dos fatores de risco cardiovascular, apresentando maior impacto sobre a elevação da pressão arterial.24 A pre-hipertensão é comum em áreas urbanas da China14 sendo que a obesidade central e sobrepeso corporal são os principais fatores de risco associados ao evento. Nery et al.12 ao estudar a pre-hipertensão constataram que a pre-hipertensão esta significativamente associada ao excesso de peso.12,26

Fatores associados com risco cardiovascular como o sobrepeso e obesidade podem ser modificados mediante a adoção de estilo de vida saudável e o tratamento adequado, respectivamente. Estilo de vida saudável está associado a pressão arterial normal.8,23 O avançar da idade, a afro descendência e história familiar positiva para hipertensão são fatores associados a alteração da pressão sanguínea amplamente divulgados pela literatura.8 A pre-hipertensão pode servir de alerta para os profissionais de saúde, principalmente na quinta década de vida quando pode representar uma transição para hipertensão arterial.4,23

Conclusão. A pré-hipertensão ganhou destaque na últimas décadas tendo em vista os benefícios de se prevenir a hipertensão arterial e complicações cardiovasculares. O tema tem sido discutido no intuito de alertar os profissionais de saúde quanto à possibilidade de ser um evento que antecede a hipertensão arterial. A prevalência de pré-hipertensão, embora menor do que a apurada em outros estudos chama a atenção para que medidas de prevenção e monitoramento sejam assumidas pelas equipes de saúde. A identificação da pré-hipertensão e dos fatores associados pode contribuir para prevenir complicações e proporcionar melhores condições de saúde, especialmente para as populações com maior risco tais como as de mulheres da raça negra, com sobrepeso corporal, mulheres com obesidade abdominal e aquelas que estão ente a quarta e quinta década de vida.

 

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Abstract : 192

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