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ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE / ARTIGO ORIGINAL

 

Prevalência de Síndrome metabólica em idosos de comunidades urbana e rural participantes do HIPERDIA do município de Coimbra/MG, Brasil

 

Metabolic syndrome prevalence in elderly of urban and rural communities participants in the HIPERDIA in the city of Coimbra/MG, Brazil.

 

Prevalencia de síndrome metabólico em ancianos de comunidades urbanas y rurales participantes de HIPERDIA del município de Coimbra/MG, Brasil

 

Josiane Aparecida Teixeira de Paula1; Osvaldo Costa Moreira2; Cristiano Diniz da Silva2; Diogo Santos Silva 2; Paulo Roberto dos Santos Amorim2

 

1Educadora Física. Faculdade Ubaense Governador Ozanam Coelho –FAGOC-, Ubá/MG, Brasil. email: josi_atp@yahoo.com.br.

2Educador Físico, Mestre. Professor, Universidade Federal de Viçosa, Florestal/MG, Brasil, email: osvaldo.moreira@ufv.br.

2Educador Físico, Doutorando. Professor, FAGOC-, Ubá/MG, Brasil. email: cristianodiniz.silva@gmail.com.

2Educador Físico, Bachareal. Universidade Federal de Juiz de Fora, Ubá/MG – Brasil. email: diogoefi@gmail.com.

2Educador Físico, Doutor. Professor, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa/MG – Brasil. email: pramorin@ufv.br.

 

Fecha de Recibido: Marzo 25, 2014. Fecha de Aprobado: Abril 15, 2015.

 

Artículo vinculado a investigación: Prevalência de Síndrome metabólica em idosos de comunidades urbana e rural participantes do programa HIPERDIA do município de Coimbra/MG, Brasil.

Subvenciones: Ninguna.

Conflicto de intereses: Ninguno.

Cómo citar este artículo: Paula JAT, Moreira OC, Silva CD, Silva DS, Amorim PRS. Metabolic syndrome prevalence in elderly of urban and rural communities participants in the HIPERDIA in the city of Coimbra/MG, Brazil.Invest Educ Enferm. 2015; 33(2): 325-333.

DOI: 10.17533/udea.iee.v33n2a15

 


RESUMO

Objetivo. Identificar a prevalência de Síndrome Metabólica (SM), influência do gênero e do local de moradia em idosos atendidos pela Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município de Coimbra-MG. Metodologia. A amostra foi composta por 435 indivíduos de ambosos sexos (72 ± 8 anos) das áreas urbana e rural. Resultados. As mulheres obtiveram maiores taxas de prevalência de SM (urbana=40%; rural=37%) com diferenças (p<0.05; φ=0.168 e 0.284) para os homens (urbana=13%; rural=22%). Odds Ratio para SM mostrou-se significativa em faixas etárias superiores a 65 anos na zona urbana, com as mulheres apresentando maiores chances em relação aos homens (OR=3.07 vezes), chegando a ser de 5,8 vezes na faixa etária 75 a 79 anos. As mulheres estão mais expostas à OA (urbana=80.4%; rural=78.6%) que os homens, independente do local de moradia (p<0.05; φ=0.46 e 0.47 respectivamente). As mulheres do meio urbano estão ainda expostas a HA (65%; p=0.022; φ=0.12). Conclusão. A prevalência de SM mostrou-se maior para as mulheres, principalmente da zona urbana. Fatores como OA e HA acometem esse público de maneira significativa. Tais resultados denotam a necessidade de maior atenção em relação à área urbana no que diz respeito a hábitos de vida mais saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.

Palavras chave: síndrome metabólica; estudos transversais; saúde da população rural; saúde da populaçãourbana; idoso; estilo de vida.


ABSTRACT

Objective. To identify the prevalence of metabolic syndrome (MS), and the influence of gender and place of residence for elders served by the Family Health Strategy in the municipality of Coimbra (Minas Gerais state, Brazil). Methodology. The sample consisted of 435 individuals of both sexes, with mean of age 72 ± 8 years. Results. Women had higher prevalence rates of MS (urban= 40%, rural= 37%) with differences (p<0.05, φ= 0.168 and 0.284) for men (urban= 13%, rural= 22%). Odds Ratio for SM was significant in age groups over 65 years in urban areas, with women having higher chances compared with men (OR=3.07 times), becoming 5.8 times aged 75 to 79 years. Women are more exposed to obesity (urban= 80.4 %, rural= 78.6%) than men, regardless of place of residence (p<0.05, φ=0.46 and 0.47 respectively), and the urban women are still exposed to hypertension (65%, p= 0.022, φ= 0.12). Conclusion. The prevalence of MS and exposure to risk factors such as obesity and hypertension was higher in women, mainly in urban areas. Health professionals, like nurses, should note that the elderly population in urban areas have greater exposure to risk factors for MS, which should strengthen educational programs that promote healthy lifestyles.

Key words: metabolic syndrome X; cross-sectional studies; rural health; urban health; aged; life style.


RESUMEN

Objetivo. Identificar la prevalencia de Síndrome Metabólico (SM), la influencia del sexo y zona de residencia en ancianos atendidos por la Estrategia de Salud Familiar en el municipio de Coimbra (Estado de Minas Gerais, Brasil). Metodología. La muestra estuvo compuesta por 435 individuos de ambos sexos, con un promedio de edad de 72 años. Resultados. Las mujeres tuvieron mayores tasas de prevalencia de SM en ambas zonas (urbana=40%; rural=37%) con relación a los hombres (urbana=13%; rural=22%). La razón de prevalencias para SM fue significativa en las personas mayores de 65 años de la zona urbana; las mujeres presentaron los mayores riesgos en relación con los hombres (Razón de prevalencias –RP-=3.1), llegando a ser la RP de 5.8 veces en el grupo de 75 a 79 años. En cuanto a los factores de riesgo, las mujeres, en ambas zonas, estuvieron más expuestas que los hombres a la obesidad (urbana=80.4%; rural=78.6%) y a la hipertensión arterial (urbana=78.6%; rural=65.1%). Conclusión. La prevalencia de SM y la exposición a factores de riesgo como la obesidad y la hipertensión fue mayor en las mujeres, principalmente en la zona urbana. Enfermería debe tener en cuenta que la población de adultos mayores de las zonas urbanas tiene una mayor exposición a factores de riesgo para SM, por lo que se deben fortalecer los programas educativos que promocionen estilos de vida saludables.

Palabras clave: síndrome X metabólico, estudios transversales; salud rural; salud urbana; anciano;estilo de vida.


 

 

INTRODUÇÃO

O avanço tecnológico, antes característica da vida urbana, está chegando ao homem do campo, e a mecanização crescente do trabalho rural tem impactado seu estilo de vida, promovendo reduções no nível das atividades físicas habituais.1 Além disso, considera-se que o envelhecimento populacional e o processo de transição epidemiológica tem acarretado mudança no perfil de morbilidade e mortalidade da população, apresentando uma redução das doenças infectocontagiosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas, nessas incluídas as doenças cardiovasculares e as neoplasias.2-4 Acompanhando esse processo de transições demográficas e epidemiológicas, ocorreu também um processo de transição nutricional, em que a disponibilidade de alimentos com elevado teor calórico acarretou aumento da prevalência da obesidade e sobrepeso, e consequentemente uma redução da taxa de prevalência de desnutrição.2

A obesidade e o sobrepeso impõe-se atualmente como um problema de saúde pública em níveis local e internacional, encontrando-se associada a dislipidemia, resistência à insulina, a hiperinsulinemia, a intolerância à glicose e a hipertensão arterial, fatores estes correlacionados às principais causas de morbi mortalidade na população adulta.3-5 Além disso, esses fatores de risco desencadeiam a síndrome metabólica (SM), que se trata de um transtorno complexo caracterizado pela presença concomitante de pelo menos três dos fatores de risco supracitados. 6 É importante destacar a associação da SM com a doença cardiovascular, aumentando a mortalidade geral em aproximadamente 1.5 vezes e a mortalidade cardiovascular em 2.5 vezes.6

Diversos estudos2,7-9 destacam que o envelhecimento predispõe ao aumento das condições para o desenvolvimento de alguns fatores de risco, tais como a obesidade central, a dislipidemia, a resistência a insulina e hipertensão arterial. Não obstante, o impacto entre o local de moradia, caracterizado como zona urbana e zona rural, também parecem influenciar a incidências de fatores de risco e a qualidade de vida da população residente nesses dois locais.2,7-9 Encontramos na literatura, uma ampla variação quando se trata de prevalência da SM em idosos, provavelmente por causa do perfil da população estudada e do critério empregado. A utilização de critérios da National Cholesterol Education Program - Adult Treatment Panel III10 (NCEP-ATP III), NCEPATPIII revisado11 ou da International Diabetes Federation12 (IDF) tem valores variando entre 11,3% a 39% nas mulheres e de 12,5% a 35% nos homens.13-15 No Brasil, há uma carência de estudos sobre prevalência de SM com dados representativos da população brasileira. 6 Assim, são necessários estudos em cidades de pequeno porte para elaborar estratégias de mudança do comportamento e de combates aos componentes da SM, dessa forma, poderão contribuir para amenizar o risco de desenvolvimento dessa síndrome.

Além disso, ao considerar o aumento da expectativa de vida de nossa população e o grande contingente de idosos residindo em zona rural nas cidades interioranas, a realização de estudos dessa natureza possibilita aos profissionais da saúde, como os profissionais de enfermagem, diagnosticar e solucionar problemas, intervir no processo saúde doença, com a finalidade de proteger e reabilitar a saúde, visando a integralidade da assistência e atuação multiprofissional. Estas ações vão ao encontro da atuação do profissional de enfermagem na atenção básica à saúde, permitindo que este profissional possa aliar sua atuação clínica à prática da saúde coletiva e ao mesmo tempo, conduzir as ações das unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) levando em conta as reais necessidades de saúde da população atendida. O presente estudo objetiva identificar a prevalência de SM em idosos atendidos pela ESF do município de Coimbra-MG, assim como a influência do gênero e da região domiciliar e sua associação com fatores de risco. Conhecer as características epidemiológicas dessa síndrome permitirá ser instituído tratamento preventivo de maneira mais eficaz.

 

METODOLOGIA

O presente estudo trata de uma pesquisa quantitativa, não experimental, do tipo observacional transversal, realizada por meio de consulta aos prontuários dos pacientes do banco de dados do hiperdia do município de Coimbra/MG. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística2 (IBGE) a cidade de Coimbra-MG possui 7054 habitantes, onde se localiza na região da Zona da Mata de Minas Gerais.

A amostra estudada constitui-se de amostragem não probabilística, por conveniência, atendida pela ESF, composta por 435 indivíduos de ambos os gêneros cadastrados, com idade igual ou superior a sessenta anos. Como critérios de inclusão foram utilizados, idade igual ou superior a 60 anos, residência fixa por mais de 10 anos e ter realizado pelo menos uma consulta clínica nos últimos seis meses em uma unidade de ESF do município. A não observação destes critérios se constituía em critério de exclusão. A coleta de dados foi realizada na ESF de Coimbra que tem uma cobertura de 100% da população. Os pesquisadores foram treinados e os dados foram coletados entre período de 3 a 14 de agosto de 2013. Iniciou-se com uma avaliação clínica que incluiu as seguintes medidas antropométricas: peso corporal (Kg), estatura (cm) e circunferência abdominal (CA; cm). Em seguida, uma aferição da pressão arterial sistólica e diastólica (PAS, PAD; mmHg) e medidas dos níveis glicêmicos (mg/dl). Por fim, utilizou-se de informações complementares sobre a utilização de medicamentos e histórico dos pacientes, retiradas dos prontuários de acompanhamento do HIPERDIA que é um sistema de cadastramento e acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial (HA) e ao Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde. Os acessos aos dados foram previamente autorizados pela Secretaria Municipal de Saúde. Todos os procedimentos do estudo foram aprovados pelo comitê de ética em pesquisas com seres da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa/MG, Brasil, sob protocolo 026/2013.

Primeiramente foram aferidas a massa corporal e a estatura por uma balança Filizola® com estadiômetro acoplado. Em seguida, a medida da circunferência abdominal foi tomada na metade da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior. A pressão arterial foi determinada pelo método indireto, com técnica auscultatória e com uso de um esfigmomanômetro de mercúrio da marca Premium® de acordo com as recomendações da SBC. 6 Por fim, as medidas dos níveis glicêmicos foram realizadas, em jejum prévio de 8 horas, pelo teste de glicemia capilar utilizando o aparelho Accu-Chek Advantage® e os padrões de classificação foram os recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes Mellitus. Cabe destacar que, apesar de a glicemia capilar não ser um padrão para o diagnóstico do diabetes mellitus, a opção pela utilização da mesma se deu pela facilidade de aplicação, baixo custo dessa técnica e sua utilização anterior em alguns estudos epidemiológicos, como um indicador de glicemia sugestiva de diabetes.3,4 Para definição da síndrome metabólica consultamos as recomendações da NCEP III,11 conforme Tabela 1.

Tabela 1. Componente da síndrome metabólica segundo o NCEP-ATP III*

Tabela 1.

Visando caracterização da amostra, dados referentes à idade (contínuos) foram apresentados como média ± desvio padrão e mediana, já que não houve atendimento a distribuição normal ocorreu após teste de Kolmogorov-Smirnov. Para a análise das prevalências encontradas foi utilizado o teste Z para proporções e para a comparação entre as prevalências de SM entre homens e mulheres, assim como entre as regiões rural e urbana foi utilizado o teste qui-quadrado. Effect sizes (phi coefficient [φ]) foram calculados para estimar a magnitude das diferenças e valores de 0.10, 0.30 e maiores que 0.50 foram considerados como pequeno, médio e grande, respectivamente.16 Todas as análises estatísticas foram realizadas pelo software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS® 17 for Windows, Chicago, IL, EUA). Em todos os outros casos o nível de significação estatística foi fixado a p<0.05.

 

RESULTADOS

No total, foram avaliados 435 idosos, com idade média 72±8 anos (mediana=71). Destes, 342 moravam na zona urbana, sendo 132 pertencentes do sexo masculino e 210 pertencentes ao sexo feminino; e, 93 moravam na zona rural, sendo que 37 pertenciam ao sexo masculino e 56 pertenciam ao sexo feminino. As análises de prevalência de SM revelaram que as mulheres obtiveram maiores taxas (40% e 37%, respectivamente para zona urbana e rural) com diferenças (p<0.05) de média magnitude (φ=0.168 e 0.284) para os homens (SM=22% e 13%, respectivamente para zona urbana e rural) (Tabela 1).

Quando a faixa etária é estratificada em intervalos de cinco em cinco anos observou-se que as mulheres da zona urbana apresentaram taxas de SM superiores estatisticamente (p<0.05) aos homens dessa mesma região, não se observando diferenças entre as taxas de homens e mulheres na zona rural. (Tabela 2). A Odds Ratio mostrou-se significativa em faixas etárias de cinco em cinco anos a partir de 65 a 79 anos na zona urbana, com as mulheres apresentaram maiores chances de SM em relação aos homens (OR=3.07 vezes), chegando a ser de 5.8 vezes na faixa etária 75 a 79 anos.

Tabela 2. Prevalência de síndrome metabólica utilizando critério do Adult Treatment Panel III conforme faixas etárias, localidade e sexo

Tabela 2.

A análise separada da prevalência de todos os componentes do critério NCEP ATP III (Tabela 3) revelou que as mulheres estão mais expostas à obesidade abdominal (78.6% e 80.4%, zona rural e urbana respectivamente) que os homens, independente do local de moradia e com importante magnitude de diferença (φ=0.46 e 0.47 respectivamente). As mulheres do meio urbano estão ainda expostas (65%; p=0.022) a outro fator de risco preocupante, a HA.

Tabela 3. Prevalência dos componentes da síndrome metabólica conforme localidade e sexo

Tabela 3.

Na Tabela 4, os dados estão estratificados entre gênero e local de moradia. Nessa análise, os homens da zona rural quando comparados com o do meio urbano, mostraram-se uma exposição significativa ao fator de risco HA (83%; p=0.001).

Tabela 4. Prevalência estratificada entre sexo e local de moradia

Tabela 4.

 

DISCUSSÃO

A prevalência da SM nessa amostra de idosos de uma comunidade rural e urbana de uma cidade interiorana de Minas Gerais pode ser considerada muito elevada para as mulheres, independente da região. Na literatura, encontramos ampla variação na prevalência da SM em idosos, provavelmente por causa do perfil da população estudada e do critério empregado. Franco et al.,10 em um estudo realizado em Cuiabá-MT com 120 hipertensos (60 mulheres e 60 homens), com idade de 58.3±12.6 anos, encontrou uma prevalência de SM de 70.8%, bem superior a do presente estudo. Em Cuiabá o predomínio foi entre o gênero feminino (81.7% vs. 60.0%; p=0.009), concordando com os resultados da presente pesquisa, mulheres (40% e 37%, respectivamente para zona urbana e rural) para os homens (SM=22% e 13%, respectivamente para zona urbana e rural). Outro estudo revelou dados similares em uma população rural do Vale do Jequitinhonha – MG (33.6% mulheres vs. 7.7% homens).8

Ao analisar as prevalências de SM, encontramos 3.07 vezes mais chances de apresentarem a SM entre o público feminino, quando comparada aos homens. Na faixa etária de 75 a 79 anos chegam a 5.8 vezes mais chances de apresentarem a síndrome. Esses resultados nos alerta para a população feminina do município de Coimbra-MG, é recomendado para essa população que faça um trabalho de acompanhamento de sua prática de atividade física e alimentação. Outro fator de risco revelado pela pesquisa foi à obesidade abdominal, dado preocupante para a população de uma região interiorana de Minas Gerais. Os resultados foram expressivos no gênero feminino, de ambas as regiões, rural e urbana. Franco et al.10 em Cuiabá/MT, encontraram a CC aumentada, especialmente em mulheres. Tinoco et al.17 em estudo realizado na cidade de Viçosa-MG, com um grupo de idosos do Programa Municipal da Terceira Idade, também encontraram valores elevados de CC, sendo maior entre as mulheres, todos os resultados encontrados na literatura corroboram com o presente estudo.

Contudo, Martins e Marinho,18 em uma pesquisa realizada no município de São Paulo-SP, com 1042 pessoas, acrescentam que a alta associação entre gênero e CC, revelou que as mulheres tem sete vezes mais risco de apresentarem obesidade abdominal, do que os homens. Zamboni et al.19analisaram a distribuição de gordura em mulheres de diferentes faixas etárias por exames de tomografia computadorizada, que mostra que o processo de envelhecimento leva a redistribuição da gordura corporal e maior acúmulo da gordura visceral, principalmente nas mulheres idosas. Santos e Sichieri20 em seu estudo encontraram uma redução da área muscular do braço e aumento da centralização da gordura. As idosas da zona urbana apresentaram mais um fator de risco agravante, a hipertensão arterial, pois quando foram comparadas com os homens da mesma região, apresentaram valores elevados de PA. Pimenta et al.21 verificaram uma maior prevalência de HA nas mulheres acima de 60 anos de idade. Os autores justificam que a alta prevalência de HA em idosas, coincide com o início da menopausa. Antes dessa fase, do ponto de vista hemodinâmico as mulheres são menos propensas que homens da mesma idade. Assim, após a menopausa essa situação se inverte.22 Neste estudo, a prevalência de HA em mulheres que já estavam na fase da menopausa foi de 69.2%, enquanto a prevalência entre as mulheres que ainda não tinham atingido essa fase foi de 32.5%, uma diferença significativa.

Ainda na PA, verificamos que 84% dos homens da região rural são hipertensos, já os da região urbana 53%. Esse resultado mostra que os homens da região rural estão sendo mais acometidos pelo fator de risco PA, quando comparadas aos homens da região urbana. São necessários mais estudos com essas populações, pois esses resultados não foram visto na literatura. Apesar do ponto de corte baixo, sabemos que o risco para o desenvolvimento de complicações cardiovasculares varia com os valores de pressão arterial, elevando-se a partir de valores acima de 110x75 mmHg 23 e que é agravado pelo processo de envelhecimento.24 O impacto isolado desse componente da SM no risco cardiovascular de idosos ainda deve ser mais bem definido.

Quase todas as variáveis analisadas no presente estudo possuem característica modificável, isso implica em dizer que é plausível a redução da prevalência dessas variáveis com a adoção de estratégias simples. Tal tipo de intervenção é factível de ser realizada pelo profissional de saúde, como o enfermeiro, através da promoção da educação para saúde, visto ser esta uma ferramenta fundamental para a prevenção, promovendo a conscientização dos indivíduos sobre a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis. Além disso, é necessário que esses profissionais entendam essas atuações ao conjunto da família, no sentido de somar resultados positivos para o indivíduo que apresentou elevado risco cardiovascular. O presente estudo apresentou algumas limitações em virtude de não levar em conta informações sociais e socioeconômicas dos pacientes. Tal fato pode implicar na existência de um grande contingente de indivíduos idosos que desconhecem seu estado de glicemia, peso, circunferência de cintura e seus níveis pressóricos no município. Apontamos ainda que, quando a amostra populacional dos idosos foi distribuída por faixas etárias e gêneros, ocorreu uma perda de poder devido ao pequeno tamanho dos grupos, especialmente na faixa etária acima de 80 anos e morador da zona rural, o, que consequentemente, leva a uma perda na capacidade de generalização dos dados encontrados.

Conclusão. A prevalência de síndrome metabólica entre os idosos mostrou-se maior para as mulheres, sendo aumentada a razão de chance quando as mesmas são moradoras da zona urbana. Fatores como obesidade abdominal e HA acometem esse público de maneira significativa. Tais resultados denotam a necessidade de maior atenção em relação à área urbana no que diz respeito a hábitos de vida mais saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física regular, que interferem direta e positivamente, não só na diminuição do percentual de gordura, como também na autonomia da população idosa. Soma-se a isso a atuação do enfermeiro na realização de campanhas de educação em saúde, que são uma forma de conscientizar os indivíduos de risco e seus familiares sobre a importância da adoção de medidas mais positivas para promoção da saúde e qualidade de vida.

Além disso, os profissionais da saúde do município envolvidos com a atenção primária à saúde, como os enfermeiros e educadores físicos, devem participar da elaboração e implantação de políticas públicas de prevenção voltadas para os idosos, principalmente para as do sexo feminino, em que foram verificados elevados valores de circunferência abdominal. Assim, esses profissionais assumem a função de assistência específica a essa população, podendo proporcionar cuidados efetivos, tratar as enfermidades já instaladas nos indivíduos avaliados, quanto para prevenir o agravamento dos problemas em decorrência de um ou mais fatores constituintes da SM.

 

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Abstract : 243

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