Documento sin título

ARTÍCULO DE REVISION/REVIEW ARTICLE/ ARTIGO DE REVISÃO

 

doi:10.17533/udea.iee.v34n1a22

 

Quais os fatores que influenciam as mulheres na decisão de amamentar?

 

Which factors influence women in the decision to breastfeed?

 

¿Cuáles son los factores que influencian en las mujeres la decisión de amamantar?

 

Cândida Canicali Primo1; Bruna de Oliveira Nunes2;Eliane de Fátima Almeida Lima3; Franciele Marabotti Costa Leite4; Monica Barros de Pontes5;Marcos Antônio Gomes Brandão6

 

1Enfermeira, Doutoranda. Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, Vitória, Espírito Santo, Brasil. email: bruna_onunes@hotmail.com

2Enfermeira, Especialista. UFES, Vitória, Espírito Santo, Brasil. email: livia

3Enfermeira, Doutora. UFES, Vitória, Espírito Santo, Brasil. email: elianelima66@gmail.com

4Enfermeira, Doutoranda. UFES, Vitória, Espírito Santo, Brasil. email: francielemarabotti@gmail.com

5Enfermeira, Doutoranda. UFES, Vitória, Espírito Santo, Brasil. email: monicabpontes@gmail.com

6Enfermeiro, Doutor. Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. email: marcosantoniogbrandao@gmail.com

 

Fecha de Recibido: Noviembre 28, 2014. Fecha de Aprobado: Septiembre 1, 2015.

 

Conflicto de intereses: Ninguno.

Cómo citar este artículo: Primo CC, Nunes BP, Lima EFA, Leite FMC, Pontes MB, Brandão MAG. Which factors influence women in the decision to breastfeed? Invest Educ Enferm. 2016; 34(1): 198-210

 


RESUMO

Objetivo.Identificar os fatores que influenciam as mulheres na decisão de amamentar. Metodologia. Revisão integrativa. As informações foram coletadas a partir de artigos originais, estudos de caso, estudos teóricos, consenso e revisões sistemáticas publicadas entre 2007-2013 disponível em espanhol, português e inglês e recuperados nas bases de dados MEDLINE e LILACS. Os descritores usados na busca foram: amamentação, comportamento materno, fatores de risco, lactação e recém-nascido. Resultados. Foram incluídos 30 artigos agrupados em cinco categorias. Os fatores que influenciam a decisão da mulher de amamentar são uma convergência de vantagens, benefícios e justificativas da amamentação, suporte familiar, social e profissional, características sócio-demográficas e clínicas das mulheres, experiência pessoal e tradição familiar e escolha pessoal. Conclusão. A decisão das mulheres de amamentar é influenciada por uma convergência de fatores. é fundamental o papel da enfermagem em incentivar a decisão da mulher de iniciar e manter a amamentação de seu filho.

Palavras chave: aleitamento materno; comportamento materno; fatores de risco; lactação; recém-nascido.


ABSTRACT

Objectives.Identify the factors that influence women in the decision to breastfeed. Methods. Integrative review. Information was gathered from original articles, case studies, theoretical studies, consensus and systematic reviews published between 2007-2013 in Spanish, Portuguese and English and recovered in the databases MEDLINE and LILACS. The descriptors used in this study were: breastfeeding, maternal behavior, risk factors, lactation and newborn. Results. Were included 30 articles, grouped into five categories. Factors influencing the decision of the breastfeeding woman are a convergence of breastfeeding's advantages, benefits and justifications, family, social and professional support, sociodemographic and clinical characteristics of women, personal experience and family tradition and personal choice. Conclusion. The decision to breastfeed by women is influenced by a convergence of factors. It is essential the role of nursing to encourage women in the decision to initiate and maintain breastfeeding her child.

Key words:breastfeeding; maternal behavior; risk factors; lactation; newborn.


RESUMEN

Objetivo.Identificar los factores que influencian en las mujeres la decisión de amamantar. Metodología. Revisión integrativa.  La información se recolectó a partir  de artículos originales, estudios de casos, estudios teóricos, consensos y revisiones sistemáticas e integrativas, publicados entre 2007-2013, disponibles en los idiomas español, portugués e inglés y recuperados en las bases de datos MEDLINE y LILACS. Los descriptores utilizados en la búsqueda fueron: lactancia materna, comportamiento materno, factores de riesgo, lactancia y recién nacido. Resultados. Se incluyeron 30 artículos agrupados en cinco categorías. Los factores que influencian en las mujeres la decisión de amamantar son una convergencia de ventajas, beneficios y justificaciones de la lactancia materna, entre ellos: apoyo familiar, social y profesional; características sociodemográficas y clínicas de las madres; experiencia personal y tradición familiar; y, finalmente, decisión personal. Conclusión. La decisión de amamantar en las mujeres es una convergencia de factores. Por esto, es fundamental el papel de enfermería en fomentar la decisión de la mujer de iniciar y mantener la lactancia materna.

Palabras clave: lactancia materna; comportamiento maternal; factores de riesgo; lactancia; recién nacido.


 

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde reconhece os benefícios da amamentação e, assim, recomenda a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida da criança e continuada, após a introdução de alimentos complementares apropriados, até os dois anos ou mais. As vantagens são para o bebê, nutriz e família, tendo em vista que, para amamentar, a mãe aconchega à criança, promovendo o vínculo afetivo desejável na relação mãe e filho.1,2 Também, o ato de amamentar é uma função por excelência da mulher e, constitui-se em momento de realização plena da feminilidade, com uma forte influência do meio social e da rede de relações, que dão suporte aos obstáculos com que a mulher se depara durante o processo de amamentar.3 Assim, pontua-se a relevância qualitativa de pesquisa da temática.

A despeito da existência de fatores que prejudiquem a amamentação, o ato de amamentar está ligado intrinsicamente ao papel da mãe, e como tal depende de um caráter de tomada de decisão autônoma da mulher. O fenômeno da amamentação como foco de diagnóstico de enfermagem na taxonomia NANDA Internacional encontra-se na classe de papéis de cuidador, reconhecendo a amamentação como elemento ligado ao papel da maternidade, estendendo-se para além da face nutricional.4Sendo uma decisão, salvo nas situações limitantes, a opção ou não de amamentar é da mulher. Tal decisão é um processo que envolve fatores culturais, sociais e políticos, sendo influenciada por diversos aspectos. 1,5-6

A abrangência e complexidade da decisão pelo amamentar estão atreladas ao fato da amamentação ser um processo que envolve fatores culturais, sociais e políticos, sendo influenciada por vários aspectos.1,7 Entretanto, há que se investigar os elementos que influenciam a decisão de amamentar para que assim se possam delimitar as ações que tragam uma contribuição para uma decisão sustentada e que culmine com a preservação de todos os benefícios da amamentação.

O conhecimento tem avançado no que concerne aos aspectos da amamentação e de seus influentes, especialmente abordando os aspectos fisiológicos, funcionais ou hábitos de vida que modificam a eficácia ou continuidade da amamentação. Contudo, não está claro como os diferentes aspectos podem ser entendidos tendo por foco de investigação uma perspectiva da amamentação como tomada de decisão ligada ao papel de cuidador da mulher. Assim, o presente estudo objetiva identificar e descrever os fatores que influenciam na amamentação na perspectiva de uma tomada de decisão da mulher cuidadora.

 

 

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada em seis etapas: (1) identificação do tema e seleção da hipótese ou questão norteadora; (2) amostragem ou busca na literatura com estabelecimento de critérios para a inclusão e exclusão de estudos; (3) coleta de dados com definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados e categorização dos estudos; (4) análise crítica dos estudos incluídos; (5) interpretação e discussão dos resultados e (6) apresentação da revisão/síntese do conhecimento.8

Essa revisão teve como questão norteadora: Quais os fatores que influenciam a tomada de decisão da mulher em amamentar? Foi realizada procura pela literatura científica, pelas ferramentas de busca das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (MEDLINE) durante o mês de janeiro/2014. Optou-se pelo uso de descritores abrangentes dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em português, inglês e espanhol, sendo os seguintes e seus compatíveis linguísticos: "Aleitamento materno, comportamento materno, fatores de risco, lactação, recém-nascido". Foram critérios de inclusão: artigos de pesquisa originais, relato de casos, estudos teóricos, consensos e revisões sistemáticas e integrativas, disponíveis. Os critérios de exclusão: editoriais, cartas ao editor, monografias, teses, resumos de congresso ou eventos científicos.

Considerando o elevado quantitativo de artigos encontrados pelo uso conjunto de todos os descritores, optou-se por trabalhar com o cruzamento de dois em dois descritores para a seleção dos artigos estudados. A busca foi planejada inicialmente para abarcar os últimos cinco anos anteriores ao ano da coleta, contudo, considerando o baixo percentual de artigos que sustentavam a questão norteadora, optou-se por ampliar mais dois anos de coleta de dados, compreendendo os anos de 2007 e 2008. As buscas foram realizadas, de forma independente, por duas pesquisadoras experientes em estudos de revisão.

A primeira seleção dos estudos foi feita a partir da análise dos títulos e resumos, e nos casos de dúvidas quanto à pertinência aos critérios de inclusão foi realizada também a leitura dos textos completos das publicações. Nas situações de divergências entre as pesquisadoras, a solução veio por consenso. Dos 3 500 estudos selecionados, 3 370 artigos foram excluídos pelo processo de análise do título e do resumo. Para a inclusão, um dado artigo deveria ser compatível com a perspectiva explícita ou implícita da amamentação como tomada de decisão da mulher ligada ao papel de cuidador. Tal referencial analítico excluiu as contribuições de fatores ligados ao aleitamento como ato fundamentalmente nutricional ou funcional, bem como as produções que tomassem a perspectiva do profissional, ou de elementos do binômio que não pudessem abarcar a presumida condição da mulher como tomadora de decisão sobre a amamentação.

A maioria dos artigos incluídos na revisão, que passaram pelo referencial analítico dos resumos foi obtida no formato texto completo no portal de periódicos da CAPES (Coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior - disponível em http://www.periodicos.capes.gov.br/).

Figura 1.

 

 

RESULTADOS

Foram encontrados 3.500 artigos relacionados ao tema proposto e apenas 30 possuíam elementos que respondiam à pergunta norteadora e atendiam aos critérios de inclusão. A maior concentração de publicações foi nos anos de 2009 e 2010 com 6 artigos em cada ano; 2008 e 2010 tiveram 5 por ano; 4 em 2013; e, 2007 e 2012 com 2 artigos por ano. Quanto ao país de realização, 11 estudos foram desenvolvidos no Brasil, 10 nos EUA, 2 em Hong Kong, 2 no Canadá e 2 na Nigéria; 1 na Escócia, 1 na Colômbia e 1 em Porto Rico. Quanto ao idioma encontrou-se 18 artigos em inglês, 11 em português e 1 publicado em espanhol. Dos métodos de pesquisa verificou-se 13 estudos de abordagem qualitativa, 10 transversais, 6 coortes e 1 ensaio clínico.

A (Tabela 1) apresenta a distribuição dos artigos segundo país, autores, ano, idioma, revista, tipo de estudo, amostra e principais resultados.

Tabela 1.

Por meio da análise dos resultados dos artigos selecionados, os dados foram reunidos em categorias temáticas que representam os fatores influenciadores na decisão pela amamentação, sendo elas: Vantagens/benefícios/justificativas da amamentação; suporte familiar, social e profissional; características sociodemográficas e clínica das mães que amamentam; experiência pessoal e tradição familiar; e escolha pessoal.

 

 

DISCUSSÃO

Os elementos discutidos nas categorias temáticas são apontados como capazes de influenciar a mulher na decisão pela amamentação. As categorias aqui apresentadas são decorrentes dos dados empíricos da análise e são apresentadas de forma abrangente e indutiva. Assim se fez, pois os estudos não adotavam um referencial teórico que tomasse uma perspectiva da amamentação como papel de cuidador, autônomo e tomador de decisão.

Vantagens, benefícios, justificativas da amamentação

Os benefícios da amamentação estão descritos em vários estudos como fator que influencia a mulher na decisão de amamentar.1-3,13,18 Os conhecimentos acerca das vantagens da amamentação são relatados quando as nutrizes apontam a importância do leite materno na prevenção de diarreia e infecções respiratórias.3 O significado da proteção do leite materno aos bebês está diretamente relacionado com suas vantagens no crescimento e desenvolvimento infantil.1

Dentre os fatores de motivação da gestante, 73,8% das gestantes decidem amamentar pelo benefício para a saúde da criança2. Esses benefícios são percebidos quando as mães dizem que o leite materno protege contra doenças, é uma vacina para o bebê, ajuda no ganho de peso, e em longo prazo as crianças se tornam menos propensas a obesidade.1,2,13,18 Além disso, mães chinesas consideram que o leite materno sendo retirado diretamente da mama, não possui contaminantes como a alimentação mista, portanto é escolhido como principal alimento para o bebê.31 A amamentação de recém-nascidos em situação especial também foi referida e a justificativa para as mães amamentarem exclusivamente seus filhos prematuros é a possibilidade de proporcionar um desenvolvimento saudável e condições boas de saúde para o bebê.12

A saúde materna foi mencionada como benefício da amamentação, sendo a proteção contra doenças da mama e o emagrecimento rápido citados pelas mães como algumas das vantagens.1-3 As mães acreditam que as práticas de amamentação são baseadas na harmonia dos processos cíclicos e dinâmicos que reforçam a saúde física, sendo parte de um processo de mudança que reflete e influencia tanto a saúde do bebê quanto da mãe.31

A amamentação é vista pelas mães como algo natural, que proporciona ao bebê todos os benefícios do amor materno durante essa interação amorosa e, também um aspecto fundamental da sua própria saúde.31 O vínculo e o estabelecimento de contato físico com o recém-nascido são apontados pelas mães como mais relevante.12 Ainda, os benefícios econômicos da amamentação aparecem como motivador para as mães, pois referem que as famílias gastam menos dinheiro, sendo econômico.1,17,18

Suporte familiar, social e profissional

Para a tomada de decisão pela amamentação a mulher é influenciada pela rede social que a rodeia, sofrendo interferência, muitas vezes, na decisão de continuar oferecendo o leite materno exclusivo ao filho ou introduzir alimentos complementares. Do mesmo modo, a avaliação que a mãe faz do estado nutricional da criança e da capacidade que tem de atender as demandas de seu filho, sofre significativa influência da opinião e conselho das pessoas mais próximas e dos profissionais de saúde.3

A influência familiar foi definida como o conhecimento sobre a opinião e experiências relacionadas com a alimentação infantil de pessoas ligadas por laços de sangue ou por casamento. A família foi o fator mais citado na decisão sobre amamentação.17 O apoio dos parentes é percebido pela nutriz como essencial para o sucesso da amamentação. A ajuda nas atividades cotidianas cria um ambiente mais sereno, menos sobrecarregado para a mulher, favorecendo a atuação da mulher em seu novo papel, de mãe, permitindo maior dedicação à amamentação.14

A decisão das avós foi claramente um elemento facilitador e a amamentação vivenciada, a gerações, dentro da família da nutriz foi fundamental para influenciar as mães sobre a importância do leite materno para seu bebê.3 Outra figura que influencia a decisão da mãe de como alimentar seu bebê é a percepção do pai sobre o que é bom para o filho, pois as mesmas se sentem motivadas e encorajadas pelo discurso dos seus companheiros, sendo mais provável a decisão de amamentação quando a relação do casal é boa, provavelmente por causa do apoio do parceiro nesse processo e, acaba fortalecendo os laços conjugais.1,14,29 Verificou-se que a centralidade na decisão de amamentar, na maioria das vezes estava no ato de amamentar ou nas variáveis ligadas ao binômio mãe-bebê. A perspectiva de focar-se na tomada de decisão pela mulher, não desconsidera elementos interferentes, dificultadores ou facilitadores exercidos por outras pessoas em outras condições de papel, como demonstram os estudos que referem a importância do pai e das avós na amamentação. No entanto, ainda que relacionados, estes são papéis diferentes e que não substituem a capacidade de tomada de decisão da mãe, a qual exerce o papel de cuidadora principal. O apoio dos amigos que vivenciaram de forma positiva a amamentação e a defendem foi uma das principais razões para as mães decidirem amamentar, servindo como fonte de suporte.13,17,18

Quanto ao apoio fornecido pelos profissionais de saúde, as mães relatam que foram orientadas, informadas e receberam conselhos sobre amamentação pelos enfermeiros do setor.18 As informações dadas à nutriz no período puerperal aumentam sua autoconfiança, fortalecendo-a a iniciar e permanecer amamentando e oferece segurança para cuidar do bebê e de si mesma.6 Durante o período do pré-natal as mulheres receberam informações sobre massagem nas mamas, amamentações até o sexto mês de vida do bebê, pega correta, fissura e contato pele-a-pela da mãe com o bebê após o parto conforme preconizam as políticas públicas nacionais e internacionais, sendo fundamental para encorajá-las na decisão.11,14,18 Também, a participação em grupos de apoio favoreceu duas vezes mais as mulheres a amamentar em comparação as mulheres que não obtiveram esse apoio.34 O objetivo dos grupos é informar, tirar dúvidas e ouvir as puérperas, abordando temas de maior interesse e dúvida entre as puérperas como cuidado com as mamas caso ingurgitamento mamário, uso de mamadeira, leite fraco e quanto tempo amamentar.6 Mães adolescentes que estavam cercadas de outras mães jovens relataram ser confortável a experiência vivenciada com outras mães, diziam se sentir bem nesse ambiente de apoio e isso foi considerado influência positiva para a amamentação.18

A relação entre práticas de apoio à amamentação nos hospitais e a intenção da mulher em amamentar exclusivamente envolve diversas variáveis intraparto, como uso de anestesia epidural, tipo de parto, duração da estadia no alojamento conjunto e localização do bebê no pós-parto. Entre primíparas, as práticas hospitalares que favoreceram a intenção de amamentar foram: profissional ajudar a mãe a amamentar, equipe não fazer complementação para recém-nascido com água ou fórmula, mostrar as mães os recursos da comunidade para apoio a amamentação e equipe não dar chupeta. Já entre as multíparas, as práticas hospitalares significativas foram: incentivo dos profissionais para amamentação e não complementar com fórmula os bebês.32 Estudo aponta que o cuidado prestado pelo enfermeiro inclui oferecer informações para a mulher sobre cuidados com o recém-nascido prematuro, esclarecer as dúvidas sobre sua capacidade de nutrir seus filhos e amenizar suas inseguranças.1 Assim, é de suma importância que os profissionais de saúde trabalhem a amamentação em todas as suas vertentes, de forma a mostrar as mães as vantagens/benefícios e as possíveis dificuldades que podem ser encontradas ao amamentar seu filho.14

Características sociodemográficas e clínicas das mães que amamenta

As características sociodemográficas da mãe muitas vezes estão relacionadas à decisão de amamentar. Estudos americanos revelam que a taxa de início da amamentação foi maior em mulheres brancas, com idade maior de 20 anos, sendo cada ano a mais na idade da mãe correspondeu a 1.9% de aumento na probabilidade de amamentar25,27,32 e, mulheres com seguro saúde, renda elevada, casadas e não fumantes foram associadas de forma positiva à intenção de amamentar.21,25,32,34 Outra questão refere-se à participação religiosa, pois mulheres que frequentavam algum grupo religioso, pelo menos uma vez por semana foi relacionado ao aumento de 55% nas chances de iniciar a amamentação.28

O nível de escolaridade materna é significativo na proporção de mães que amamentaram na primeira hora de vida do bebê.30 Mulheres que tinham ensino médio ou maior nível apresentaram maior intenção de amamentar.22,25,32 Um maior grau de instrução torna as mães mais capazes de procurar informações relevantes sobre nutrição infantil ideal e, mais propensas a amamentar o seu próprio filho.33

Mulheres que planejaram a gravidez e iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre de gestação foram 25% mais propícias a optar pela amamentação.16,25 E aquelas que tiveram quatro ou mais consultas pré-natal foram mais favoráveis a iniciar a amamentação do que as que não fizeram acompanhamento durante a gravidez.23,25 Em relação ao número de filhos ou paridade, os estudos ainda apresentam resultados contraditórios, pois pesquisa em Hong Kong verificou que a paridade maior ou igual a dois filhos está relacionada de forma positiva a prática da amamentação,26 enquanto estudo americano observou que mães com um filho mais velho, o percentual de amamentação exclusiva foi maior do que nas mães com dois ou mais filhos, entretanto o teste de associação não mostrou diferença significativa entre os grupos (p=0.76).20 Por outro lado, dados demonstraram que mães de primeira gestação foram citadas como mais propensas a amamentar do que as multíparas.25,16

Em primíparas, a intenção de amamentar esteve relacionada à assistência pré-natal por profissional obstetra e não realização de cesárea e em multíparas, associou-se a não realização de cesárea, ter o bebê em contato com a mãe logo após o nascimento e permanência em alojamento conjunto durante dois dias ou menos.32 Outro ponto refere-se ao sexo dos bebês, sendo que as meninas são mais prováveis de serem amamentadas exclusivamente do que crianças do sexo masculino.23 Ao avaliarmos o tipo de parto e complicações, observou-se que as mulheres que realizaram parto normal bem sucedido, após uma cesárea na primeira gestação são 42% mais propensas a iniciar a amamentação. Do mesmo modo as mulheres que tentaram parto normal, sem sucesso, e tiveram parto cesárea ainda eram mais propensas de amamentar do que as mulheres com uma cesárea de repetição programada.21 Também, as taxas de amamentação exclusiva foram maiores em mulheres com gestação e trabalho de parto complicados e que foram assistidas no parto por profissionais de saúde, ao invés de parteiras tradicionais ou pessoas não treinadas.23-24  Mulheres que receberam 13 semanas de licença maternidade apresentaram taxa maior de início da amamentação (74.2%) do que as que receberam de uma a seis semanas. Qualquer tempo de licença de maternidade foi positivamente associada com a amamentação.9

Experiência pessoal e tradição familiar

A experiência bem sucedida em relação à amamentação do filho anterior foi um precedente positivo na intenção de amamentar um novo bebê durante mais tempo e de forma exclusiva.2,34 O relato de uma mãe a respeito do filho anterior ter sido amamentado e ser forte (saudável) confirma a relevância do início precoce e reforça a importância de um manejo adequado no processo de introdução da alimentação complementar, quando necessário.5

A decisão da mulher foi fortemente influenciada pelas experiências positivas dos familiares em relação à amamentação.11,18 Lembranças de amamentação vivenciadas pelas gerações passadas e os benefícios comprovados surgem no momento em que se começa a discutir aspectos considerados importantes para o processo de amamentar, influenciando de forma positiva o seu início.3 As experiências anteriores de familiares e amigas constituem as chamadas influências de valores culturais e constatou-se sua importância no processo de amamentação, pois potencializaram nas mulheres a capacidade de prover aos recém-nascidos um bom desenvolvimento da amamentação.1

Escolha pessoal

O desejo da mãe é um dos fatores para o sucesso da amamentação1,34 e a motivação interior da nutriz faz com que a mesma se sinta segura em amamentar seus filhos, superando os obstáculos e vencendo barreiras que poderiam vir a interromper precocemente a amamentação3. Também, as mulheres que planejaram amamentar exclusivamente e veem esse fenômeno como algo positivo, têm mais chance de iniciar a amamentação.24,34 A confiança da mãe em poder fornecer o leite materno como principal fonte de alimento para o bebê torna o ato de amamentar um momento mágico.10,22 E quando a mulher refere que pretende amamentar devido à beleza da amamentação, então, ela mostra-se mais confortável com a experiência de nutriz e possui maior autonomia e liberdade em vivenciar o processo.2 O sentimento de prazer na amamentação é vinculado ao amor incondicional da mãe pelo bebê, sendo um ato que estreita o vínculo afetivo entre eles.10

A escolha da amamentação é feita de forma independente pelas puérperas, sendo uma escolha pessoal baseada muitas vezes em pesquisas nos diferentes meios de comunicação ou aconselhamento pelo profissional de saúde.17 A intenção de amamentar exclusivamente foi 3,16 vezes maior entre as mães que concordam que seus bebês devem se amamentados somente com leite materno durante os primeiros seis meses, do que nas mulheres que tinham uma opinião contrária.19 Por fim, pode-se concluir que a decisão da mulher pela amamentação é um processo complexo que sofre influencia da história de vida da mulher, das experiências familiares e das amigas, de fatores demográficos, culturais e sociais da própria mulher e também pelo seu desejo de amamentar.

Os estudos demonstram que as mães têm conhecimento dos benefícios do leite materno para a saúde do bebê e a sua, sendo, muitas vezes, um dos principais motivadores para a decisão de amamentar.  Assim, programas de educação em saúde nas instituições de saúde, campanhas educativas na mídia, ações nas escolas mostram-se relevantes para difundir as vantagens/benefícios da amamentação e ampliar os conhecimentos da sociedade de forma a reforçar a mensagem de promoção da amamentação. Foi possível constatar que a mulher é influenciada pela rede de relações construída ao seu redor, como os membros da família, companheiro e amigas, nesse sentido, intervenções que reconhecem essas influências e envolvam as pessoas que lhe são significativas no ensino sobre as vantagens/benefícios da amamentação e acerca dos cuidados durante o processo de amamentar pode contribuir para aumentar a adesão das mulheres, o conhecimento e o apoio dos familiares e amigos.

Sabe-se que amamentar é função exclusiva da mulher, porém os profissionais de saúde têm papel relevante para o sucesso ou fracasso da amamentação. Em relação aos serviços de saúde, os hospitais devem implementar políticas que apoiam a amamentação, com particular atenção para a eliminação da suplementação de recém-nascidos saudáveis e ampliar o apoio profissional durante o período de internação hospitalar e nas primeiras semanas após o parto por meio da assistência domiciliar ou ambulatorial.

As conclusões desse estudo são de natureza qualitativa e os resultados dos artigos trazem a convergência de que as vantagens|benefícios/justificativas da amamentação, o suporte familiar, social e profissional, as características sociodemográficas e clínicas das mulheres, a experiência pessoal, a tradição familiar e a escolha própria são os fatores que influenciam a mulher nessa decisão. Contudo essas questões não prescindem da tomada de decisão da mulher como exercício do papel de cuidadora que a despeito de tudo busca preservar sua autonomia, mesmo que limitada, ao decidir por iniciar e manter a amamentação de seu filho. Verificou-se que fatores como diferentes culturas ou regiões geográficas presumivelmente podem produzir hábitos e práticas diferentes e em certa medida modular a tomada de decisão da mulher, dado que o papel de cuidador pode sofrer variações. No entanto, nos resultados obtidos não se verificou em nível mundial produção que investigasse tais elementos como fenômenos de interesse, o que pode ser considerado como limitação da presente revisão. Entretanto, cabe destacar que as principais bases de dados foram consultadas e, finalmente, os resultados apontam para a necessidade de novos estudos que permitam verificar melhor a relação entre esses fatores e a decisão da mulher em amamentar.

 

 

REFERÊNCIAS

1.Silva LR da, Elles MEI de S, Silva MDB, Santos IMM dos, Souza KV de, Carvalho SM de. Fatores sociais que influenciam a amamentação de recém-nascidos prematuros: estudo descritivo. Online Braz J Nurs. 2012; 11(1): 40-52.

2. Takushi SAM, Tanaka ACD, Gallo PR, Machado MAM de P. Motivação de gestantes para o aleitamento materno. Rev Nutr. PUCCAMP. 2008; 21(5): 491-02.

3. Machado MMT, Bosi MLM. Compreendendo a prática do aleitamento exclusivo: um estudo junto a lactantes usuárias da Rede de Serviços em Fortaleza, Ceará, Brasil. Rev. bras. Saúde Matern Infant. 2008; 8(2): 187-96.

4. NANDA. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2012-2014 [NANDA Internacional]. Porto Alegre: Artmed, 2013.

5. Furman l, Banks E, North A. Breastfeeding Among High-Risk Inner-City African-American Mothers: A Risky Choice? Breastfeed Med. 2013; 8(1):58-67.

6. Barreto CA, Silva LR, Christoffel MM. Aleitamento materno: a visão das puérperas. Rev Eletr Enferm. 2009; 11(3):605-11.

7. Santos LC, Ferrari AP, Tonete VLP. Contribuições da enfermagem para o sucesso do aleitamento materno na adolescência: revisão integrativa da literatura. Cien Cuid Saúde. 2009; 8(4):691-8.

8. Souza MT, Silva MD, Carvalho R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo). 2010; 8(1):102-6.

9. Rocha NB, Garbin AJI, Garbin CAS, Moimaz SAS. O ato de amamentar: um estudo qualitativo. Physis. 2010; 20(4):1293-305.

10. Polido CG, Mello DF, Parada CMGL, Carvalhaes MABL, Tonete VLP. Vivências maternas associadas ao aleitamento materno exclusivo mais duradouro: um estudo etnográfico. Acta Paul Enferm. 2011; 24(5):624-30.

11. Gamboa DEM, Lopez BN, Prada GGE, Gallo PKY. Conocimientos, actitudes y prácticas relacionados con lactancia materna em mujeres em edad fértil em una población vulnerable. Rev Chil Nutr. 2008; 35(1):43-52.

12. Braga DF, Machado MMT, Bosi MLM. Amamentação exclusiva de recém-nascidos prematuros: percepções e experiências de lactantes usuárias de um serviço público especializado. Rev. nutr. PUCCAMP. 2008, 21(3): 293- 02.

13. Nunes JM, Oliveira EN, Vieira NFC. Concepções de puérperas adolescentes sobre o processo de amamentar. Rev RENE. 2009; 10(2):86-94.

14. Marques ES, Cotta RMM, Botelho MIV, Franceschini S do CC, Araújo RMA, Lopes, LL. Rede social: desvendando a teia de relações interpessoais da nutriz. Physis. 2010; 20(1):261-81.

15. Davim RMB, Enders BC, Richardson AR da. Mothers' feelings about breastfeeding their premature babies in a rooming-in facility. Rev Esc Enferm USP. 2010; 44(3):713-8.

16. Neto ET dos S, Oliveira AE, Zandonade E. O aleitamento materno exclusivo nos primeiros três meses de vida. Pediatria (São Paulo). 2007; 29(2): 89-98.

17. Street DJ, Lewallen LP. The Influence of Culture on Breast-Feeding Decisions by African American and White Women. J Perinat Neonat Nurs. 2013; 27(1):43-51.

18. Nesbitt SA, Campbell KA, Jack SM, Robinson H, Piehl K, Bogdan J. Canadian adolescent mothers' perceptions of influences on breastfeeding decisions: a qualitative descriptive study. BMC pregnancy childbirth. 2012. 12:1-14.

19. Stuebe AM, Bonuck K. What Predicts Intent to Breastfeed Exclusively? Breastfeeding Knowledge, Attitudes, and Beliefs in a Diverse Urban Population. Breastfeed Med. 2011; 6(6):413-20.

20. Sipsma HL, Magriples U, Divney A, Gordon D, Gabzdyl E, Kershaw T. Breastfeeding Behavior Among Adolescents: Initiation, Duration, and Exclusivity. J Adolesc Health Care; 2013; 53(3):394-500.

21. Regan J, Thompson A, Franco E de. The Influence of Mode of Delivery on Breastfeeding Initiation in Women with a Prior Cesarean Delivery: A Population-Based Study. Breastfeed Med. 2013; 8(2):181-6.

22. Rozzett HD, Fragoso LG. Prenatal breastfeeding intentions in a group of women with high risk pregnancies. Bol Assoc. Med PR. 2010; 102(1):21-3.

23. Agho KE, Dibley MJ, Odiase JI, Ogbonmwan SM. Determinants of exclusive breastfeeding in Nigeria. BMC Pregnancy Childbirth. 2011; 11(2):1-8.

24. Ogbuanu C, Glover S, Probst J, Liu J, Hussey J. The effect of maternity leave length and time of return to work on breastfeeding. Pediatrics. 2011; 127(6):1414-27.

25. Chertok IRA, Luo J, Culp S, Mullett M. Intent to Breastfeed: A Population-Based Perspective. Breastfeed Med. 2011; 6(3):125-9.

26. Lee WT, Wong E, Lui SS, Chan V, Lau J. Decision to breastfeed and early cessation of breastfeeding in infants below 6 months old - a population-based study of 3,204 infants in Hong Kong. Asia Pac J Clin Nutr. 2007;16 (1):163-71.

27. Kyrus A, Valentine C, Franco E de. Factors associated with breastfeeding initiation in adolescent mothers. J Pediatr 2013; 163(5):1489-94.

28. Burdette AM, Pilkauskas NV. Maternal Religious Involvement and Breastfeeding Initiation and Duration. Am J Public Health. 2012; 102(10):1865-8.

29. Ying L. Breastfeeding Intention Among Pregnant Hong Kong Chinese Women. Matern Child Health J. 2010; 14(5):790-8.

30. Ogunlesi TA. Maternal Socio-Demographic Factors Influencing the Initiation and Exclusivity of Breastfeeding in a Nigerian Semi-Urban Setting. Matern Child Health J. 2010; 14(3):459-65.

31. Chen W. Understanding the cultural context of Chinese mothers' perceptions of breastfeeding and infant health in Canada. J Clin Nurs. 2010; 19(7-8):1021-9.

32. Declercq E, Labbok MH, Sakala C, O'Hara M. Hospital Practices and Women's Likelihood of Fulfilling Their Intention to Exclusively Breastfeed. Am J Public Health. 2009; 99(5):929-35.

33. Skafida V. The relative importance of social class and maternal education for breast-feeding initiation. Public Health Nutr. 2009; 12(12):2285 - 92.

34. Mickens AD, Modeste N, Montgomery S, Taylor M. Peer Support and Breastfeeding Intentions Among Black WIC Participants. J Hum Lact. 2009; 25(2):157-62.

 

Abstract : 336

Article Metrics

Metrics Loading ...

Metrics powered by PLOS ALM


Esta publicación hace parte del Sistema de Revistas de la Universidad de Antioquia
¿Quieres aprender a usar el Open Journal system? Ingresa al Curso virtual
Este sistema es administrado por el Programa Integración de Tecnologías a la Docencia
Universidad de Antioquia
Powered by Public Knowledge Project