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ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE/ ARTIGO ORIGINAL

 

Mulher, maternidade e trabalho acadêmico

Mujer, maternidad y trabajo académico

Women, maternity and academic work.

 

 

Márcia Regina Cangiani Fabbro1, José Roberto Montes Heloani2

 

1 Enfermeira obstetra, Doutora em Educação. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem. Universidade Federal de São Carlos de São Paulo, Brasil. email: cangiani@ufscar.br.

2 Psicólogo social, Doutor em Psicología Social. Professor Titular na Facultade de Educação, Universidad Estadual de Campinas e na Fundación Getúlio Vargas de São Paulo, Brasil. email: roberto.heloani@fgv.br.

 

Subvenciones: Este artigo faz parte da Tese de Doutorado da primeira autora, intitulada: “Mulher e Trabalho: problematizando o trabalho acadêmico e a maternidade”, defendida em 22 de fevereiro de 2006 no Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade Estadual de Campinas. São Paulo. Brasil.

 

Cómo citar este artículo: Cangiani MR, Montes JR. Mulher, maternidade e trabalho acadêmico. Invest Educ Enferm. 2010; 28(2): 176-186

 


 

RESUMO

Objetivo. Descrever a vivência do trabalho acadêmico e da maternidade das professoras universitárias. Metodologia. A investigação se realizou de dezembro de 2003 a dezembro de 2005 e se coletou informação das histórias de vida e das entrevistas reflexivas a cinco professoras de uma universidade pública de São Paulo (Brasil). Resultados. A análise dos dados compreendeu dois eixos: a história de cada “uma” e a história de todas “elas”, que levou às categorias empíricas: maternidade, relações de gênero e trabalho acadêmico. Os resultados assinalaram que o trabalho proporciona a realização profissional, ao afirmarse como profissional e ao poder prover a manutenção da família, mas essa afirmação poderia ser secundária ao universo familiar e relacional que apóia as realizações individuais. Conclusão. A maternidade foi o elemento desencadeador de questionamentos do caráter mítico de mulher “realizada”, o que levou a reflexionar sobre si mesmas, o trabalho e sua relação com os filhos e esposo.

Palavras chaves: mulheres; identidade de Gênero; trabalho; maternidade; gênero.

 


 

RESUMEN

Objetivo. Describir la vivencia del trabajo académico y de la maternidad de las profesoras universitarias. Metodología. La investigación se realizó de diciembre de 2003 a diciembre de 2005 y se recolectó información de las historias de vida y de las entrevistas reflexivas a cinco profesoras de una universidad pública de São Paulo (Brasil). Resultados. El análisis de los datos comprendió dos ejes: la historia de “cada una” y la historia de “todas ellas”, que llevó a las categorías empíricas: maternidad, relaciones de género y trabajo académico. Los resultados señalaron que el trabajo proporciona la realización profesional, al afirmarse como profesional y al poder proveer la manutención de la familia, pero esa afirmación podría ser secundaria al universo familiar y relacional que apoya las realizaciones individuales. Conclusión. La maternidad fue el elemento desencadenador de cuestionamientos del carácter mítico de “mujer realizada”, lo que llevó a reflexionar sobre sí mismas, el trabajo y su relación con los hijos y esposo.

Palabras clave: mujeres; identidad de género; trabajo; maternidad; género.

 


 

ABSTRACT

Objective. To describe the academic work experience and maternity of the university professors. Methodology. The research was completed from December 2003 to December 2005. Information was collected from five university professors’ life stories and reflective interviews in a public university of Sao Paulo (Brazil). Results. Data analysis had two cores: The story of “each of them” and the story of “all of them” which led to the empirical categories: maternity, genre relationships and academic work. The results pointed that work provides professional accomplishment asserting themselves as professionals and being able to provide family maintenance. But the last statement could be secondary to the family and relational universe that supports the individual fulfillment. Conclusion. Maternity was the triggering factor of mythical character questions of “fulfilled women” what took them to think about themselves, their work and the relationship with their children and husband.

 

Key words: women; gender identity; work; maternity; gender.

 


 

INTRODUÇÃO

Um projeto pessoal – planos de uma filha de um comerciante e uma dona de casa, que conseguiu chegar à universidade e ser doutora – era de construção e reflexão da relação maternidade e trabalho acadêmico que, a primeira vista parece espinhoso, porém mais do que nunca é contemporâneo. As transformações sociais, políticas, econômicas e culturais, a partir dos anos sessenta, desarticularam padrões e paradigmas comportamentais, ao mesmo tempo em que permanecem reproduzindo, não da mesma forma, os papéis dos gênero e as conseqüências que isto pode trazer para“uma-vida-que-nem-sempre-évivida no emaranhado das relações sociais”.1

é neste contexto da gestação desta pesquisa, que se podem indicar ao leitor algumas razões que mobilizaram a pesquisar a temática em questão e a escolha da mulher acadêmica, em especial. A relação mulher, trabalho e maternidade implica em situar de que a mulher e de trabalho se refere este artigo. Isto porque as condições sócioeconômicas das mulheres depoentes deste estudo carregam singularidades que articulados com o universal, nos apontam que o singular é mediado por relações sociais.1

é através do processo de socialização dos papéis sexuais (socialização feita essencialmente no seio da família) que determinados papéis sociais são associados a cada um dos sexos definindo-se deste modo as diferenças no perfil de personalidade de homens e mulheres.2 Portanto, a percepção de ser mulher ou homem e os papéis decorrentes dela são construções sociais que são fortemente internalizadas pela sociedade brasileira e, mais ainda pelas próprias mulheres. As últimas décadas demonstram avanços, especialmente no campo dos direitos.

Apesar das mudanças, a natureza das relações entre homens e mulheres e entre as próprias mulheres, assim como o mundo social permaneceram relativamente semelhantes. As mulheres, pelo menos as do mundo ocidental, controlam a sua fertilidade de formas nunca pensadas nos anos 70 e recebem pelo menos 10 anos de escolaridade obrigatória. As mulheres (ainda as do ocidente e não universalmente) têm mais liberdades formais e cívicas (para viajar, votar, ter propriedades, etc.), mas, no entanto, continuam tendo a responsabilidade pelo cuidado prestado às crianças e às famílias.2

Quando se soma a essa discussão o trabalho das mulheres, se retoma o debate do trabalho feminino como forma de independência, a divisão social e sexual do trabalho e a desvalorização social do trabalho doméstico. Trabalhar e ter filhos não é uma escolha fácil. Hoje é uma escolha, mas nem sempre foi assim. Não se pode negar o adiamento da maternidade em prol da carreira, especialmente em mulheres mais escolarizadas e inseridas no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, o que muitas vezes a impulsiona a não deixá-lo.

O trabalho feminino, ao longo da última metade do século XX, há mostrado uma série de contradições: de um lado, a intensa e constante participação das mulheres no mercado de trabalho e a conquista de bons postos e acesso a carreiras e profissões de prestígio por mulheres escolarizadas; e de outro, o elevado desemprego e a má qualidade do emprego não só feminino, com predomínio de atividades precárias e informais.3

“Como explicar a ansiedade e a culpa que freqüentemente, acompanham o ser mãe em nossa sociedade?” Scavone4 nos aponta que o fenômeno biológico da maternidade é constituído pela dinâmica de interesses políticos, econômicos, sociais e também psicológicos.

Neste sentido, a proposta deste artigo é resgatar elementos para compreender o processo de construção da identidade feminina, a partir da abordagem psicossocial, priorizando os sentidos e significados da maternidade e do trabalho acadêmico articulando-los às relações de gênero que perpassam a vivência no ambiente familiar e as pressões impostas à carreira acadêmica.

A identidade pessoal e profissional é aqui compreendida como resultado de um contínuo processo de socialização, isto é, a identidade se estrutura mediante inter-subjetividades. Uma identidade que pode ir modificando-se ao longo da história da vida da pessoa, de acordo com sua inter-relação com o meio social. A formação da identidade profissional se dá a partir da identidade social, isto é, da identificação enquanto classe e grupo de pertença. A identidade, nesse sentido, não é posta ou estática, mas sem movimento contínuo, metamorfose. Portanto, pensar de identidade como metamorfose implica nas mudanças processadas em cada história pessoal e em suas relações.1

é nas práticas sociais que se constitui a identidade, o outro, é a peça fundamental. Na medida em que essas mulheres estão exercendo a sua profissão e sendo mães, estão constituindo as suas identidades pessoais e profissionais por meio do “fazer” e “ser” mãe e profissional, quer dizer, das suas atividades domésticas e laborais. Contudo, tanto o “fazer” quanto o “ser” são heranças da realidade objetiva, indissociavelmente articulada à realidade subjetiva, através dos processos sociais e históricos de interiorização, exteriorização e objetivação que, pela sua natureza dialética, não podem ser pensados como ocorrendo em seqüência temporal.5

As identidades subjetivas dos homens e das mulheres que moldam o ser e fazer de mulheres e homens tem na categoria gênero sua amplitude social. O gênero se torna uma maneira de indicar as “construções sociais”: a criação inteiramente social das idéias sobre os papéis próprios aos homens e às mulheres. O gênero, é segundo essa definição, uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado, portanto gênero compreende um caráter relacional e político, que tem uma base material e não somente ideológica.6

As relações entre homens e mulheres estão inseridas num mundo complexo de valores, símbolos e significados particulares em cada cultura que inscrevem desigualdades de relações, também singulares, entre os gêneros masculino e feminino.7 Portanto, as relações de gênero se assentam primeiramente sobre uma relação hierárquica entre os sexos, portanto se trata de uma relação de poder;8 o que possibilita pressupor que as experiências de homens e mulheres acadêmicos podem ser distintas e talvez mais penosas para as mulheres.

A intensificação do trabalho, que se mostra evidente em várias áreas, inclusive no meio acadêmico, faz com que estas mulheres, se submetam a estender sua jornada de trabalho em casa. Desta forma, o mundo privado se articula com o mundo do trabalho, o que pode gerar conflitos nas relações familiares. A relação trabalho, gênero e maternidade, pode, considerando a classe social, os recursos sociais e a própria motivação da mulher para ser mãe; ser geradora de conflitos pessoais e profissionais. A opção em ser ou não mãe, ter ou não um trabalho fora do lar e a maneira como cada mulher “lida” com este conflito se mostram distintos conforme o nível socioeconômico, nível educacional, rede de apoio, etc; demonstrando que identidade é um elemento-chave da realidade subjetiva, e tal como toda realidade subjetiva, acha-se em relação dialética com a sociedade, portanto é constituída e constitui a estrutura social mais ampla.5

 

METODOLOGIA

Tratase de uma pesquisa qualitativa realizada no período de dezembro de 2003 a dezembro de 2005 com 5 professoras universitárias de Cursos de Educação e Saúde de uma Universidade Pública do interior do Estado de São Paulo - Brasil. A linha condutora para esta discussão foi composta de cinco histórias de vida de mulheres-mãesprofessoras universitárias. Optamos por dar voz às mulheres, para ouvilas, o relato de sua trajetória profissional e materna como processos de constituição de identidade. História de vida é “o relato de um narrador sobre sua existência através do tempo, tentando reconstituir os acontecimentos que vivenciou e transmitir a experiência que adquiriu”.9

Os procedimentos de coleta dos dados foram a história de vida e a entrevista reflexiva,10 adaptados ao contexto da investigação. A entrevista reflexiva se caracteriza pela disposição do pesquisador de compartilhar continuamente sua compreensão dos dados com o participante. A refletividade aqui tem “o sentido de refletir a fala de quem foi entrevistado, expressando a compreensão da mesma pelo entrevistador e submeter tal compreensão ao próprio entrevistado”.10

A análise dos dados contemplou a narrativa da história de vida de cada sujeito. Esta etapa visou apreender o primeiro eixo de análise: a história de cada uma. Já a segunda etapa visou analisar transversalmente todas as entrevistas, no sentido de atravessar todas as histórias de vida e assim problematizar nosso objeto de pesquisa, culminando com o segundo eixo de análise: a história de “todas elas”, das quais foram extraídas as considerações feitas neste artigo. Da análise transversal emergiram as categorias empíricas: maternidade, relações de gênero e trabalho feminino e, trabalho acadêmico, problematizadas em temáticas mais adiante. Aos dados, foi aplicada a Análise de Conteúdo, de acordo com a técnica de Análise Temática.11

Quem são elas? Raquel é uma jovem senhora de 46 anos, fez graduação em Matemática e pós-graduação em Educação Matemática. A personagem Raquel-menina responsável foi marcante na sua infância e perdurou por toda a sua trajetória profissional. Entrou na carreira acadêmica poucos anos depois de formada, com 35 anos já tinha terminado o doutorado e, um ano depois, estava no exterior fazendo o pós-doutorado. Tem dois filhos, sendo que foi mãe pela primeira vez fazendo o mestrado. Divorciou-se após 11 anos de casamento e hoje tem um companheiro da área acadêmica.

Beatriz tem 48 anos é a única filha mulher. Foi uma “moleca” na infância e como Raquel foi trabalhar na busca da independência (a contragosto do pai). Sempre foi muito determinada. Fez um Curso de Educação Especial e, desde então, atua nesta área, está a oito anos na mesma universidade. Teve dois relacionamentos estáveis, sendo que, do último, teve sua filha hoje com oito anos, após várias tentativas de engravidar. Hoje é separada. Sempre trabalhou muito, em vários lugares, o que caracterizou sua personagem Workaholic.

Sofia tem 49 anos, é psicóloga. Sempre foi uma aluna muito estudiosa e “nasceu” dentro da escola, pois seus pais foram professores. Ser mãe não estava nos seus planos, pois adora trabalhar na universidade, mas aos 40 anos, inesperadamente engravida e hoje é mãe de um menino de 11 anos, fruto de um relacionamento de 17 anos. Hoje está divorciada e hoje tem outro companheiro.

Tati tem 54 anos, tem somente uma irmã, é professora de Educação Física. Começou muito cedo a carreira acadêmica, sendo professora universitária há 33 anos. Vivenciou uma grande e única paixão, que a levou a largar tudo (fazia doutorado na época) para ir ao exterior e casar-se. Quatro meses depois voltou, por não conseguir se adaptar. Descobriu então que estava grávida, aos 37 anos. Depois do nascimento do bebê, o marido veio ao Brasil morar com ela, mas o relacionamento não deu certo e se divorciaram. Nunca mais o viu. Posteriormente, decidiu adotar duas meninas gêmeas.

Lili tem 52 anos, é professora de Educação Física nesta universidade há 22 anos. Conheceu seu marido durante o mestrado e estão casados há 24 anos e tem dois filhos. Durante o mestrado, engravidou, parou de trabalhar e vivenciou uma gravidez com depressão. Contudo, tendo defendido o mestrado, foi selecionada para lecionar em uma universidade pública e mudou-se com seu primeiro filho (o marido ficou em outra cidade, mas, algum tempo depois, veio trabalhar no mesmo departamento). Construiu sua carreira ao lado da do marido; viajaram juntos ao exterior para fazer o doutorado e são cúmplices em tudo o que fazem.

 

RESULTADOS

Maternidade: um ponto de inflexão

A maternidade representou um ponto de inflexão em todas as histórias. Cada uma a seu modo vivenciou este fato: “Estou grávida!”. Raquel e Táti revelaram que aparentemente assumiram tranqüilamente a situação, Sofia entrou em desespero, Beatriz buscou intensamente a maternidade, mas quando recebeu a notícia ficou assustada e, junto com Lili, teve depressão pós-parto após o nascimento de seu primeiro filho, revelando a ambigüidade inerente a essa fase, caracterizada por alguns, como uma crise e por outros, como transição.

Foi no papel de mãe que essas mulheres se deparam com a dificuldade de se confrontar com a pressão social não só do cuidado com os filhos, mas também da incorporação de um tipo ideal de mãe impostos ao gênero feminino, que as colocam em conflito e na obrigação de responder. Tornar-se mãe revela um movimento complexo de, ao mesmo tempo interiorizar papéis impostos socialmente, mas também buscar novas formas de viver e ser mãe.

“[...] Eu tenho que buscar os meus filhos na escola, não tem jeito. Eu sempre fui assim: meiodia, eu posso estar na reunião que for, eu tenho que ir embora, eu tenho que buscar na escola, eu não tenho quem vá buscar [...] O fato de você ser mãe... limita você em algumas coisas” (Raquel).

“[...] o nascimento do meu filho estabeleceu o corte para mim, o limite com a realidade [...] porque se eu não tivesse que sair, eu ficaria aqui, agora eu sei que eu tenho que sair, eu entro noutra realidade; então foi ele que me possibilitou isso [...] senão eu viveria desse sonho aqui da universidade” (Sofia).

Ao falar sobre a maternidade, estas mulheres relatam as semelhanças e diferenças entre elas e as suas próprias mães. Ser filha de quem é pode igualá- la como membro de uma família (indicado pelo nome de família), mas a unidade do singular (indicada pelo nome próprio) a diferencia de sua mãe.

Na busca dessa diferença, elas tentam não repetir o padrão de suas mães, mas, em alguns momentos, precisam reafirmar que ser mulher acadêmica não a faz deixar de ser mãe. Necessitam do reconhecimento de uma nova forma de ser mulher-mãe-acadêmica, que luta para alcançar seus projetos de vida, que não necessariamente se resumem nos filhos. Assim, tentam superar a contradição na busca da diferença daquilo que merece ser vivido por elas.

“[...] Naquela época, ela [a mãe] teve que se afastar do trabalho e ficou muito frustrada por isso; era uma pessoa muito guerreira, mas frustrada, porque era uma pessoa dinâmica, e acabou se dedicando inteiramente para a família. é supermãezona, de proteger [...] e eu pareço que fui mais ou menos a projeção dela, do que ela gostaria de ter sido” (Sofia).

“A minha mãe é supermãe, de deixar fazer... Eu, por exemplo, eu cuido muito bem dos meus filhos. Mas eu me coloco muito em pé de igualdade com eles. (...) Coisa que a minha mãe não fez, abriu mão de muitas coisas. Esse é o exemplo que eu não sigo dela [...] a vida dela se resumiu nos filhos. Eu, não” (Raquel).

Para essas mulheres a identidade profissional já existia quando outro veio se juntar à ele – o papel de mãe, tanto que na nossa amostra, três mulheres tiveram o seu primeiro filho depois dos 35 anos de idade, revelando uma tendência de que as mulheres estão tendo seus filhos mais tarde em função da carreira.

A biografia há mostrado um recurso importante para os estudos da identidade. Frente à identidade social bem-sucedida dessas mulheres, a maternidade mudou os rumos de suas biografias. Os filhos passaram a estabelecer limites ao personagem profissional e ao mesmo tempo, a maternidade as colocou em constantes reflexões sobre o seu papel de mãe. A posição social ocupada por essas mulheres imprimiu marcas na sua identidade social como símbolos de prestígio. Já o lugar de mãe mostrou ser o lugar das inseguranças, incertezas e culpas, que influenciaram sua identidade pessoal e social de mãe.12

Culpas e incertezas da necessidade de cumprir um papel social decorrente de um processo de socialização em que meninas e meninos interiorizam o mundo social como realidade objetiva, reproduzindo a dialética social. é no processo de interiorização que apreendemos um acontecimento objetivo como dotado de sentido, que se torna subjetivamente significado para mim, 5 ou seja, ser mulher e ser mãe passam a ser tão fortemente interiorizados que nós nos sentimos obrigadas a seguir um tipo ideal de mãe que, quando não atingido da forma como a sociedade espera, nós mesmo nos culpamos. Neste processo, as personagens< podem ser feitiçadas refletindo a dificuldade do indivíduo em atingir a condição de serpara- si, a não metamorfose compreendida como a manutenção da mesmice.1

Relações de gênero e trabalho feminino: o poder implícito

Estas mulheres são altamente envolvidas com o seu trabalho e obtém reconhecimento por sua competência profissional. No entanto, o sucesso da mulher no âmbito do trabalho acadêmico pareceu incomodar alguns homens e o seu trabalho passou a ser visto como uma forma de competição, o que ameaçou o papel masculino de provedor. Em alguns casos, observou-se a tendência de o companheiro menosprezar o seu trabalho.

“[...] enquanto eu tinha sucesso, ele não tinha, então nisso é complicadíssimo. Esse boicote vinha de mau-humor, de agressividade, ele não se abria no que ele estava sentindo, talvez estivesse se sentindo péssimo [...] O desemprego é a pior coisa que existe na relação [...]” (Raquel).

A cobrança (que nem sempre é explícita) para a mulher assumir a responsabilidade pelas “coisas da casa”, a competição, o menosprezo e a agressividade são formas implícitas de manifestação das relações de poder entre os gêneros, o que demonstra que, além de hierárquicas, estas relações ocultam manipulações e ameaças.

“Chegava em casa, contava novidades dos alunos, projetos, trabalhos... ele ficava muito incomodado [...] ele sempre viu o pai dele chegar em casa, cansado, e a mulher estava pronta para recebê-lo com a comida e ele falava: ‘Aqui sou eu que faço a comida e é você que está cansada’ [...]” (Beatriz).

“[...] parece certa competição com meu marido, principalmente da parte dele, que tem outra profissão e autônomo [...] ele acha, não sei se é real, que eu me dedico demais ao trabalho e pouco à família [...] esse sentimento me agride [...] eu sinto... que desvaloriza, desmerece o meu trabalho [...] (Sofia).

A instauração de um processo de dominação exige desapossar alguma coisa fundamental ao outro, de modo que não reste alternativa a não ser submeter-se às regras do jogo de seu expropriador. 13 Dessa forma, o valor heurístico do conceito de divisão sexual do trabalho se revelam na possibilidade de detectar suas novas fronteiras, engendradas a partir dos mesmos princípios: a separação - do trabalho das mulheres e dos homens - e a hierarquização - maior valorização do trabalho masculino.14 Decorrente dessa hierarquização os relatos acima apontados revelam algumas destas fronteiras que muitas vezes se mostram implícitas nas pequenas e discretas desvalorizações do trabalho feminino.

Não há dúvidas que vivemos mudanças sociais que levam a uma maior igualdade nas relações entre os gêneros. As singularidades vividas por estas mulheres são experiências que foram vividas por elas, mas acredita-se que muitas destas também foram vividas por outras mulheres. Como serão manifestas as desigualdades de gênero em relações conjugais em que as mulheres são forçadas a preservar interesses estabelecidos, situações convenientes como, por exemplo, abdicar de sua própria satisfação pessoal e profissional em prol do outro?

O cuidado com as crianças é uma questão perturbadora para a mulher trabalhadora. Ela ainda acaba assumindo o cuidado com os filhos e muitas vezes se vê sobrecarregada com as questões do trabalho e não encontra uma saída para resolver este conflito. Uma de nossas depoentes revelou a necessidade de revisão de dois aspectos: uma redefinição dos papéis masculinos e femininos no cuidado com os filhos: “eles são filhos de um pai só, quando está um, não está outro” (relata Lili) e o processo de negociação em que ela e o marido entram em acordo para que um possa assumir, por exemplo, um cargo administrativo, enquanto que o outro dá o apoio em casa, como relatado abaixo.

“[...] Quando foi para me recandidatar, eu perguntei a ele (marido): Tudo bem, nós vamos de novo? Ele respondeu: tudo bem. Acertou, está resolvido, então não precisamos discutir mais, por isso que eu respondi que brigamos menos, porque acertou primeiro antes de vir a briga” (Lili).

Este relato de Lili destaca o caráter social e a dimensão política das relações de gênero e enfatiza o seu aspecto relacional mostrando como a construção dessa categoria de análise se faz por meio da reciprocidade, ou seja, não se podem conceber mulheres, se elas não forem definidas em relação aos homens e, vice versa.6 Do ponto de vista da identidade, não se pode perder de vista o processo dialético da construção da identidade, uma perspectiva mais compreensiva do “eu” e da vivência de papéis na busca de alternativas emancipatórias para as metamorfoses humanas.1,15

Trabalho acadêmico: afirmação de si, sedução e exploração

O trabalho intelectual, para estas mulheres, se mostrou sedutor, as engrandeceu e as fez se sentirem vivas, em constante troca de experiências, pois realizam um trabalho bastante significativo e muito prazeroso, no sentido da produção de conhecimento e da formação de novas gerações. Isto as aproximou do mesmo código moral que sustenta o trabalho do homem, de trabalhador e provedor, e adquiriu um sentido particular de honra e de afirmação de si mesmas como indivíduos.

“O meu grande problema não é ter que trabalhar, mas é que eu gosto [com ênfase] muito do que eu faço. [...] eu não trabalho simplesmente por trabalhar, mas porque eu gosto [...] me dá prazer” (Raquel).

“Eu me descobri na carreira acadêmica, porque essa renovação, eles entram sempre com a mesma idade e eu vou ficando velha, mas eles estão entrando, então, eu me sinto muito jovem” (Lili).

Contudo, o valor desse trabalho em muitos momentos se mostrou contraditório, porque a percepção da mulher como trabalhadora é mediada pela atitude que o outro manifesta com relação a ela, ou seja, distinguir-se do outro deve ser a cada momento reconhecido pelo outro.15

Neste sentido, o poder simbólico da dominação surge como todo o poder que consegue impor significações e impô-las como legítimas. Os símbolos afirmam-se, assim, como os instrumentos por excelência de integração social, tornando possível a reprodução da ordem estabelecida.16 O trabalho acadêmico as envolveu de tal forma que “tomou ares” de escravidão. A sedução subjetivamente

apropriada pode ser objetivamente usada para fins de exploração, no sentido de não possibilitar que haja espaços para outros personagens, originando a identidade-mito “mulher bem sucedida”.

“[...] nosso trabalho, ele permite você se afundar de cabeça, se você tem um problema em casa, ele permite que você ignore o problema [...]” (Raquel).

“[...] você vê pessoas que se ´casam` com a universidade, porque chega num ponto que parece que você não necessita de mais nada, além dos seus livros, do seu computador [...] trabalhar na universidade é muito sedutor. é um passo para você realmente se perder [...]” (Sofia).

Na identidade-mito a pessoa age repondo uma identidade uma vez atribuída a ela, vive o papel que lhe atribuíram como inevitável (reificação) e apóia sua identidade nesse papel. Dessa forma, tem poucas possibilidades de se distanciar desse personagem e de vislumbrar a própria conduta sob a perspectiva de outro papel. A tendência é manter esses papéis atribuídos em uma constante reposição. Trata-se de um mito que, além de dificultar a constituição de uma identidade autônoma por meio de um processo de mesmice, encobre perfeitamente o conflito capital-trabalho.1

Pedro,7 ao analisar a identidade masculina na contemporaneidade, questiona paradigmas que propõem explicar o comportamento humano através de determinismos biológicos ou reducionismos sociológicos e, particularmente a “masculinidade” como justificativa da dominação e manutenção da mesmice. Tomando como base Badinter o autor partilha dos princípios de que a masculinidade é aprendida, construída socialmente e que, portanto tem sofrido significativas mudanças na exteriorização, na interiorização e na objetivação. Evidencia a tendência da construção de homensem- metamorfose, portanto, uma multiplicidade de modelos masculinos que se opõe a idéia de homogeneidade na identidade.

 

DISCUSSÃO

Quando se utilizou as relações sociais de sexo/ gênero como referencial teórico para explorar o trabalho da mulher na universidade, demonstrouse que as experiências de homens e mulheres são distintas, portanto, as trajetórias de vida e as dificuldades para galgar os caminhos para se tornar uma docente-pesquisadora, por exemplo, são diferentes para as mulheres. Isso significa dizer que, além dos problemas enfrentados por qualquer mulher que trabalha fora – gerenciamento do lar, cuidados com crianças e parentes idosos, acompanhamento do desenvolvimento escolar dos filhos, compras domésticas, etc. –, vêm somar-se, ao trabalho na universidade, as alterações decorrentes do processo de reestruturação produtiva, especialmente as questões que envolvem a reforma universitária, que tem aproximado a universidade ao modelo empresarial e exigido novos requisitos de desempenho profissional, novas tecnologias, novos métodos de organização e gestão do trabalho.

As mudanças no sentido do trabalho, da profissão, da carreira, para atender as demandas do mundo sistêmico, dificultam a constituição de identidades autônomas e inviabilizam seu processo de emancipação, ao mesmo tempo em que mantêm encoberto o conflito capital-trabalho. Em nome de uma realização profissional, muitas mulheres estão sendo usadas para manter essa ordem e se convergindo à flexibilização e racionalização do trabalho acadêmico num contexto neoliberal – a lógica do trabalho sem fim, in home, ou da extensão do trabalho profissional. Contudo, essas mulheres não foram vítimas de sistema. Retomando Foucault, 17 o sujeito é ao mesmo tempo produto e produtor das relações de poder que se exercem sobre o seu corpo, desejos e forças. Assim, nunca está totalmente aprisionado pelo poder. A resistência somente é possível no interior das próprias práticas de poder.

A identidade das mulheres deste estudo foi ao encontro dos achados de Losada; Rocha-Coutinho,18 onde a identidade da mulher não se baseia mais apenas nos velhos papéis de mãe e esposa, como também ainda não está totalmente voltada para os novos papéis que envolvem uma atividade profissional, mas, antes, esses dois modelos coexistem.

Podemos dizer que estamos vivendo um momento de transição, uma vez que as mudanças que estão ocorrendo na vida das mulheres não se estenderam de forma ampla a todos os seus espaços. A casa ainda continua seguindo predominantemente os antigos padrões de divisão de tarefas e responsabilidades.

Hoje a mulher está presente em quase todos os âmbitos do trabalho formal e informal. Mas estar no mercado de trabalho, ter uma família, marido, filhos, etc, não tem sido uma tarefa fácil. Em uma pesquisa com trabalhadoras de enfermagem, as mães trabalhadoras exteriorizam a sensação de culpa pela ausência de casa e afastamento involuntário dos filhos, por causa do trabalho que interfere diretamente no relacionamento afetivo com eles. Foram descritas situações em que a atividade profissional provocou um distanciamento emocional entre as mulheres e seus filhos e/ou companheiros, em função da carga horária excessiva e da incompatibilidade de horários, fato que as obrigou à decisão de reduzir a jornada de trabalho para que pudessem restabelecer o convívio e a estabilidade familiar.19

Porém, estes dados instigam a necessidade de revisão de papéis, pois ao abraçar uma carreira acadêmica, por exemplo, a mulher tem que delegar parte de suas antigas atribuições, sem que isso pareça descaso de sua parte. Esta revisão necessita acontecer não apenas no âmbito familiar e nos hábitos pessoais. Com a ascensão, cada vez é maior o número de mulheres em cargos de chefia, os homens sob seu comando têm que se adaptar, e claro não sem resistências.

Neste sentido, Pedro7 ao estudar a identidade masculina, retoma a importância de desvendar as ideologias - respaldadas pela ideologia patriarcal e machistas e pela própria organização do sistema capitalista – que imprimem no homem posições dominantes e diferenciadas, em organizações e instituições, estabelecendo relações de exploração e discriminação. Muitas destas interpretações psicossociais do comportamento humano não podem reduzir às concepções organicistas e instrumentais, pois pressupõem a construção de sujeitos sociais e políticos, agentes históricos em permanente metamorfose. As contradições, ambigüidades e lutas alteram costumes, valores e instituições, bem como a capacidade de transformar a si mesmo e construir uma realidade social distinta.

O sentido do trabalho fora do lar para as mulheres de nosso estudo se assemelha aos resultados de uma pesquisa com pequenas empresárias.18 O trabalho fora de casa, para estas autoras parece ter-se tornado um suporte importante para a identidade social das mulheres. O investimento feminino no trabalho profissional parece envolver mais do que um mero escape do “gueto” doméstico. Ele está ligado a uma nova exigência da mulher de afirmar sua identidade enquanto sujeito. A isso se acrescenta a recusa da dependência financeira em relação ao marido, a reivindicação de uma autonomia dentro do casamento e a construção de uma segurança para o futuro.

A maternidade, não mais valorizada pela sociedade como antigamente, ainda é uma experiência importante e significativa para a mulher, ou seja, há um desejo em ser mãe assim como em ser pai. Por outro lado, a atividade profissional também proporciona uma identidade própria, socialmente supervalorizada. Contudo, o estereótipo da mulher moderna também impõe a obrigatoriedade de ser bem-sucedida, que aparece aliada à difícil tarefa de se mostrar forte, o que sujeita a mulher a agir conforme essas predicações, questão esta destacada por Raquel e Sofia. Quando não corresponde ao ideal de boa mãe e de profissional de sucesso continua repondo as personagens que sustentam essa lógica, o que, as impedem de construir novas personagens que possibilitem a superação desses papéis.

A afirmação de si mesmas como profissionais poderá ser abalada porque se subordina ao universo familiar e relacional (das “pessoas”), que referenda, sustenta e apóia as realizações individuais, persistindo as dificuldades de se tornarem moralmente legítimas e socialmente aceitáveis.20 Surge, então, a necessidade de construção, de negociação e de reflexão dos relacionamentos, por meio de um exercício permanente de atenção a si próprias e aos outros, para alcançarem o desenvolvimento individual e, ao mesmo tempo, o vínculo que a reciprocidade igualitária estabelece. 2

Finalmente este estudo resumi que ao construírem suas próprias histórias, as mulheres entrevistadas deste estudo redefiniram seu lugar social. Verificou- se uma alteração significativa na identidade social, passaram a ter prestígio e reconhecimento profissional, o que implicou numa mudança significativa no modo de vida, que se refletiu no próprio sentido do trabalho feminino que passou a ser visto não só como manutenção de um padrão socioeconômico da família, mas também como um sentido particular de honra e de afirmação de si como indivíduo.

A análise na perspectiva de gênero e da divisão sexual do trabalho revelou que as mulheres, neste estudo, ainda são submetidas a um peso histórico que tornou possível apenas o deslocamento das fronteiras do feminino e do masculino, jamais a supressão da própria divisão sexual. No entanto, elas participam da manutenção das estruturas de gênero e romper com estes paradigmas exige um processo de reflexão que gere resistências, por discretas que sejam no cotidiano familiar e de trabalho.

O desvendar dos significados foi um processo contínuo de desconstrução e (re) construção da feminilidade na maternidade, no trabalho, nas relações de gênero e na dinâmica familiar. Só é possível concretizar a emancipação quando, através do agir comunicativo, houver possibilidades de estabelecer projetos coletivos que conduzam homens e mulheres a um estado em que realmente o ser humano como um todo seja responsável pela construção de sua história. Faz-se necessário buscar uma “vida que mereça ser vivida”, orientada pelos princípios universais de justiça, de reciprocidade, de igualdade de direitos e de respeito à dignidade dos seres humanos como pessoas individuais, mesmo que isso se apresente de forma incipiente e aparentemente contraditória.

Agradecimentos: Ao professor Dr Wilson José Alves Pedro do Curso de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil pelas valiosas contribuições.

 

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Fecha de Recibido: 8 de marzo de 2009. Fecha de Aprobado:4 de junio de 2010.

Abstract : 237

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